KIKA FOREVER

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KIKA FOREVER

Nasceu início de Janeiro de 2002

Morreu em 04 de janeiro de 2013

Raça: Rottweiler

Criadores: Gera e Linda

Local: Bessa – João Pessoa

 

KIKA

19/02/2013

Após caminhar na praça e ao voltar para casa, visitar os túmulos das minhas filhotas, fiquei ouvindo músicas e navegando na net. Agora, já 23:15h, invento de dar o partida nesse relato que tem por objetivo guardar a memória de Kika, a minha filhota, que passou 12 anos conosco, numa relação muito bonita, amorosa, quase indescritível, de prazeres e paixões incomensuráveis.

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Kika, 1,5 mês

 

Eu e Linda morávamos em São Paulo e viemos morar em João Pessoa, nesta casa que havíamos comprado alguns anos atrás. Aqui chegamos à véspera de Natal  e já era janeiro do ano seguinte quando nossos móveis chegaram via transportadora. Após montar a casa, decidimos que precisaríamos de um cachorro para fazer a proteção, haja vista termos um grande terreno em volta e para impor respeito na hora de chegar e sair.

Linda deu a sugestão de procurarmos uma cadela, que suja menos do que o cadelo ao fazer xixi e porque não fica botando o pênis pra fora quando se excita. Além disso, ouvimos que as fêmeas são mais dedicadas, delicadas e concentradas.

Vimos alguns anúncios no jornal e ligamos para um criador-vendedor de cães hotweiller lá do bairro Castelo Branco e depois de muita conversa e tiração de dúvidas, marcamos uma ida lá para ver os cães. Convidamos a minha irmã Rosangela para ir conosco, pois ela tinha uma cadela poodle (Belinha) e alguma experiência. Queríamos uma cadela com procedência, embora não exigíssemos o pedigree, devido ao preço e a não necessidade.

Na hora e data marcada fomos até o dono dos animais e chegando lá fomos apresentados a duas filhotes com cerca de 45 dias de vida. Depois de alguma conversa e observação, escolhemos a que viria conosco. Efetuamos o pagamento de 200 reais e tiramos pra casa, felizes da vida e conversando sobre aquela coisa mais linda, que parecia assustada por ser retirada abruptamente do seu habitat e principalmente de perto da sua família canina.

Mas era altaneira, não chorou. Deve ter curtido todo o carinho com que era tratada. Colocamos-lhe o nome de Kika, por ser curto, por ser fácil dela aprender, por ser carinhoso.  Kika era como dizem as mães e tias de filhotes “a coisa mais linda”, peluda, estava fortinha, uma gracinha, afinal, todo filhote é muito bonito e ela não fugia à regra.

Chegando em casa, Linda arrumou um lugar pra ela lá na área de serviço, pois eu havia lido que pra não estragar o animal de guarda, não pode dar moleza e nem carinho demais. Jornal no chão, ração, água e uma caixa pra servir de casinha.

Quando ficou sozinha lá, não gostou e passou a resmungar e soltar gritinhos de mimo. E lá íamos nós ver o que se passava. Só queria ficar dentro de casa e Linda foi deixando.

Kika deitava no chão frio e estirava o corpo, e de pata a pata cobria duas pedras de cerâmica da pequena. Tinha as patas enormes e era sinal que seria uma cadela forte.

Linda fez uma vistoria à luz do dia e percebeu que ela tinha carrapatos, muitos carrapatos e pulgas também. Nossa, foi uma surpresa desagradável. Ela apresentou alguns problemas de saúde e levamos ao veterinário Robson. Ele foi taxativo: Melhor devolver essa cadela.

Não devolvemos, pois daria muito trabalho e problemas. E como era novinha, teria como recuperar. E foi o que aconteceu. Passamos o carrapaticida e anti-pulgas e logo ela estava livre de problemas. Fizemos as vacinações, tendo a carteira de saúde dela sempre em dia.

Compramos a primeira coleira, os depósitos para ração e água, um brinquedo para ela, um ossinho. Os cuidados eram os mesmo dispensados a um bebê.

Movida a ração e leite, Kika foi desenvolvendo e ficando cada vez mais forte, mais bonita. O quintal grande, espaço para ela correr, areia para escavar, árvores para se esconder. Ela adorava tudo isso.

Acostumou-se com banhos semanais para manter o pelo limpo e brilhoso e bastava pegar na mangueira e ela se aproximava para colocar a coleira. Já nesse período acostumei-lhe com sons que eu fazia com a boca para ir marcando cada fase. Quando ela se balançava toda para expulsar a água do pelo, eu fazia um som; para colocar a coleira outro som; para retirar a coleira, outro som ou palavra.

Linda era a sua treinadora com os comandos simples como sentar, dar a pata, sair para fazer xixi, esperar a hora de comer e não ficar pedindo ao lado da mesa. Tudo isso ela aprendeu. Tentei lhe ensinar a não comer porcaria na rua – mas não consegui. Então colocava pedaços de carne em locais específicos dentro do quintal para ela encontrar, mas não tinha coragem de colocar pimenta para lhe queimar a boca ou bater – como fazem os adestradores para causar medo.

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O primeiro ano passou rápido. Kika agora ocupava 5 cerâmicas da pequena, quase um metro. Era forte e ainda crescia. Era apreciada em beleza por todos que lhe botavam os olhos, a ponto de pegar mal-olhado nas ruas, durante os passeios.

O Bessa era todo areia e os nossos passeios diários eram na poeira ou nas poças de água ou mesmo driblando as lamas e águas. Ela não gostava do barulho das motos e quando uma se aproximava tentava atacar e me obrigava a segurar firme. Foram muitas as vezes em que deu sustos nos motoqueiros e em mim também, pois em alguns casos me pegava de surpresa e houve alguns em que segurei a custo de quase esfolar as mãos.

Kika também não podia ver um gato – e como tem nessas ruas – e queria pegá-lo. Era uma luta boa segurá-la, pois tinha muita força e algumas vezes com os chinelos molhados em piso escorregadio quase que soltei a corda – sim, usava um pedaço de corda após a coleira para dar mais espaço para ela se movimentar  e algumas vezes fui obrigado a sentar no chão e fincar os pés (quando era Ela e a Zuka) ou ser arrastado. Soltar significava colocar em risco alguma pessoa que surgisse por ali.

Por causa da volúpia e do movimento, decidi caminhar somente à noite, quando as ruas ficam quase desertas e bem escuras. No inverno a visibilidade era mínima. Assim, a partir das 21h, qualquer hora era boa, mas Kika ficava me marcando dentro de casa, ou acompanhando aonde ia, ou apenas com os olhos, e de vez em quando fazendo um som gutural para me chamar a atenção. Quando eu me levantava, ela fazia o mesmo e corria para a porta. Se eu pegava no chaveiro e balançava era a senha e algumas vezes ela ficava como que dançando, rebolando e grunhindo de alegria. Passava o portão da casa e corria para o portão do muro. Eu me aproximava com a coleira e colocava na posição e altura e Ela vinha e enfiava a cabeça, ansiosa para sair logo. Linda dizia: Meu Deus como ela fica contente! É o tanoshimii dela!

kika2003marcaKika não gostava de coleiras fixas, mas aceitava quando a gente colocava. Mas foi pouco tempo.  Aos 2 anos já estava formada e tinha essa cara de brava, mas conosco era super dócil.

Devido a proliferação de carrapatos nos terrenos do Bessa, remanescentes das criações de bovinos que teve aqui, fomos obrigados a criar Kika dentro de casa, mesmo sabendo que a cerâmica escorregadia causa problemas vertebrais . Fazer o que? A doença transmitida pelo carrapato mata sem piedade se não for cuidada a tempo. E mesmo com todos os cuidados, morando dentro de casa, Kika pegou duas vezes.

04 de janeiro de 2017.

Kika se tornou muito ‘na dela’ e dominadora ao mesmo tempo. Depois que ganhava um presente, fosse brinquedo ou osso, ninguém chegava perto para pegar. Ela mostrava os dentes e grunhia. Então era melhor não avançar. Certa vez coloquei um osso para ela e ao tentar pegar para mudar de lugar, ela deu uma abocanhada e quase pegou minha mão. A partir dali entendi o porquê dos cães atacarem os próprios donos. Atacam quando são insultados, ainda que essa não seja a intenção. Mas se eles entenderem assim, atacam.

Com o tempo estabelecemos quem mandava (Eu) e quem devia obedecer (Ela). Isso foi feito dentro de um profundo respeito e fomos nos dando muito bem. Com mais tempo ela foi ganhando regalias, devido ao meu maior respeito pelos mais velhos.

Quando estava com 2,5 anos, decidimos colocá-la para cruzar, pois o veterinário disse que era bom pra ela, evitando assim câncer de útero. Fizemos assim. Primeiro garantimos que a saúde estava boa, vacinas em dia. Ela cruzou com um cão chamado Fred, dos futuros amigos Edésio e Didi e Júnior. Da primeira vez não deu certo, pois levamos a noite e fomos buscar de manhã, e pelo que soubemos depois, ela nem deixou o cão chegar perto. No cio seguinte, levamos ela pra lá e deixamos por dois dias, e aí sim, quando fomos buscá-la, estavam em pleno coito, de manhã. Então quando terminaram os trabalhos, trouxemos nossa menina para casa. Estava toda suja, imunda, fedida de suor, de terra . Tomou um banho de quase uma hora, com sabão e shampoo.

Ela ficou enorme quando a barriga cresceu. Acompanhamos a rápida gestação com cuidados redobrados porque éramos de primeira viagem e não podíamos vacilar. A gravidez acorreu tudo bem, os filhotes nasceram, 7 miúdos. Lembro que Linda ficou incrível porque os cãezinhos eram pequeninos, pareciam gatinhos, isso levando em conta o porte da mãe Kika.

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Mas tivemos problemas porque ao cortar o rabo dos filhotes – era permitido – o veterinário Robson, quando perguntado sugeriu que cortasse ‘zero’, e assim fez, e nos dias seguintes, por mais cuidados que tomássemos, Kika  lambia muito e 3 deles, os mais fortes, pegaram infecção e morreram. Foi uma tristeza enorme e depois culpamos o veterinário  que orientou errado, disseram-nos que deveria ser corte nível 1 ou 2. Restaram 4 filhotes para Kika amamentar: Zukka, Dara, Barney (que foi para o dono do cão macho que cruzou com Kika) e Apolo. Todos ficaram aqui na área do Bessa.

Kika percebeu que Zukka era miúda e passou a dificultar a amamentação, às vezes prendendo-lhe entre as pernas. Os melhores peitos ficavam para os grandões, mas Linda estava atenta e colocava a pequena pra mamar. E por ser pequena, ela foi ficando, ficando, vendemos os outros e ela restou. Até que completou quase três meses e resolvemos que ficaria conosco, pois  Linda já estava apegada com aquela criaturinha que viria a ser sua verdadeira filha.

Kika era muito mandona, Zukka teve que se contentar em ser a segunda, a outra. Kika não gostava de brincar com a filhota, tomava-lhe osso ou brinquedo e as vezes se irritava com a proximidade e lhe atacava – mas nada que um grito de ‘pare’ não resolvesse.

O principal prazer de Kika era passear, caminhar na rua, fazer nossa ronda noturna, para desestressar, para conhecer lugares novos, para marcar território – e ela fazia isso com maestria. Cheirava matos e postes e cantos de muros com muito cuidado, ia pra lá, vinha pra cá, girava de novo, levantava a perna e fazia quase igual bicho macho. Eu dava risada e perguntava se ela queria ser menino.

Os passeios eram todos os dias, ela cobrava, esperava contando as horas, ficava impaciente quando eu demorava (algumas vezes às 11 da noite). Quando eu tinha eventos para fotografar, chegava em casa depois da meia-noite, e se Linda não tivesse saído com Ela, por

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algum motivo, eu tinha que fazer isso já de madrugada. Mas era meio obrigação e meio prazer, pois dava gosto de ver o seu contentamento. Muitas vezes ao colocar a coleira, ela emitia um som, como se quisesse falar e (só de lembrar disso meus olhos ficam úmidos e meu coração apertado) para agradecer.

Cada dia fazíamos um percurso diferente, alguns longos por mais de um quarteirão, outros curtos – no menor quarteirão, outros mais distantes, alguns dias íamos a praia a noite, e além do banho havia a caça aos siris na área, que ela era perita e adorava de paixão. Dia íamos pela direita, dia pela esquerda. E havia o passeio de carro, de vez em quando. Quando pegava a manta para forrar o banco do carro, ela ficava ouriçada e corria pra porta.  Ainda jovem, dava um salto lá no meio do banco. Mais tarde, já com problemas de coluna, tinha dificuldade para subir, para descer, mas eu ajudava e dava tudo certo. Não deixávamos de passear por isso.

Devido ao seu porte, Kika apresentou problema vertebral. São inerentes de cães de grande porte, e ela era pouco obesa. Culpa minha que dava de tudo pra comer. Isso a fez sofrer boa parte da vida, tomar antibióticos continuados , senão não conseguiria caminhar.  E toda medicação por anos seguidos, claro que vai acabar com o estomago de qualquer um. Era tão grave o problema vertebral, que certa época ela sofria muito pra levantar. Na verdade, ela quase não ficava de pé, apenas para fazer os percursos e logo deitava. Perdera a resistência.

Mas na hora de caminhar, ela se transformava e queria ir de todo jeito. Um certo período, para caminhar, precisava da minha ajuda. Com uma toalha passando pela sua barriga posterior, eu a ajudava a se manter de pé e caminhava atrás dela, devagar, fazendo os movimentos que ela quisesse, para não machucá-la. Não íamos longe nessa época, pois ela entendia a limitação e quando eu chamava para entrar, ela acatava. Então eu abria-lhe o bocão e enfiava um comprimido para ela sentir algum alívio e dormir.

Durante 12 anos a nossa rotina foi mais ou menos assim: casa, passeio, banho aos sábados – inclusive de veneno nas patas e barriga e parte posterior da cabeça – , medicação e comida, catar carrapato – nossa como aparecia, os malditos entravam em casa caminhando vindo da areia lá fora.

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Umas das coisas mais agradáveis era vê-la feliz quando eu chegava com um osso de perna de boi, um dela e um da sua filhota Zukka, que ela ficava doida pra tomar e acabava por tomar quando a outra saia para fazer suas necessidades. Aí Linda tinha que intervir de alguma forma para lhe pegar um osso, sem se expor a ataque. E Zukka acabava por sair e enterrar o seu osso, tentando proteger da mãe. Era uma onda aquelas duas.

Kika foi a Dona Inês uma duas vezes. Temos algumas fotos dela no sítio que era da família. Foi quando as soltei para um banho de açude e depois que ficassem livres vigiando enquanto tirávamos uma soneca após o almoço, com as portas abertas. Mas quando acordei do cochilo, elas haviam matado o galo mais famoso do lugar.

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Kika era caçadora nata, nos passeios era atenta nas lagartixas nos muros e muitas e muitas vezes ajudei a encurralar para ela pegar. Depois que pegava queria vir pra casa, rebolando, com o troféu na boca. Chegando em casa, ia adorar a caça, colocando embaixo do queixo e aí de quem se aproximasse. Era o seu momento de glória e quando ao que parecia, parava de sentir dores e limitações de movimentos.

Kika era um exemplar de cadela difícil de se ver por aí. Todos elogiavam demais. A sua beleza rendeu muitas fotos bonitas. Era tão apegada a mim que se eu a deixasse num canto e saísse, ela ficava me observando sem parar, tensa, acompanhando-me com o olhar. Quando eu retornava ela relaxava. De 2009 a 2012, o seu maior prazer era ir para a Praça do Caju ver o movimento a tarde ou a noite. Ficava olhando tudo e todos com olhar senhorial.

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O ano de 2012 foi o mais difícil para Kika, pois já com 12 anos, as doenças causadas por antibióticos e a da coluna foi se agravando.  Levamos para o veterinário e ele citou uma cirurgia de alto-risco para a idade, e cara, e sofrimento pra ela. Decidimos por mante-la no medicamento. Não havia o que fazer. Falei com uns três veterinários e aconselharam a manter como estava. Enquanto isso, a situação de estômago, intestino e útero estavam críticas.

Kika começou a perder peso, a vomitar, a passar mal, cada vez mais tempo deitada, a gente preocupado, dando a medicação, sabendo que não tinha retorno. Até que passou a defecar de forma absolutamente podre. A cada vez, precisávamos lavar a casa e dar um banho nela. Era horrível, principalmente de madrugada. Mas a gente percebia que ela lutava, olhava pra nós como se pedisse socorro, como se dissesse não me deixem morrer – reviver esse momento é chorar na certa, é sofrer de novo, é se sentir incapaz.

Tô dizendo, mesmo assim ela queria passear. Mas não tinha condições. Eu colocava a coleira, abria o portão, dávamos alguns passos na calçada e retornávamos. Ela se sentia bem, voltava sem relutar. Entendia o seu estado. Sentávamos e ficávamos conversando, eu, Linda e ela, falando das dificuldades, pedindo desculpas pelas coisas que ela não havia gostado, falando das suas peripécias. Ela ouvia quieta, apenas mexia os olhos e mal mexia a orelha de vez em quando, demonstrando atenção.

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Alguns dias de sofrimento até que precisei tomar uma decisão. Chamei o veterinário mais próximo, com quem já tinha falado antes. Não restava nada a fazer. Sofrimento de ambas as partes, questão de dias para acontecer. Ele aplicou uma injeção e ela dormiu. A seguir, pouco depois, aplicou mais uma para ela não acordar nunca mais.

Eu segurei até o veterinário ir embora. Perguntou se queria que levasse para sepultar fora,  eu disse não. Eu mesmo sepulto aqui no quintal. Ele saiu e eu chorei copiosamente vendo aquele corpo inerte no chão. Olhei fixamente para nunca mais esquecer da cena. Meu peito estava em brasas, meus olhos seringava água quente que escorria até a boca ou passava direito.

A minha, a nossa Kika estava morta e eu com um sentimento de culpa terrível. Mas o que eu poderia ter feito de alternativa? Vê-la sofrer mais? Prostrada? Mesmo assim eu estava mal, fiquei mal, ainda me sinto mal quando penso, quando lembro. E ainda tinha que sepultá-la. O dia não foi fácil.

Enquanto ela dormia o seu sono eterno, escavei uma cova no canto do muro, perto de onde a sua filha Zukka estava enterrada 1 ano antes. Quase um metro de buraco depois, enrolamos a nossa nega numa manta – a mesma que usávamos para forrar o banco do carro –  e a levamos para a sua morada final. Realizamos o ritual do sepultamento.

O meu desespero foi enorme porque eu sabia que estava perdendo a pessoa  (?) que eu mais amei nessa vida, Kika… e porque eu havia antecipado a sua morte, a morte do ser que mais me amou nessa Terra, amor verdadeiro, incondicional, puro, sincero, gratuito. Ah meu Deus, por  que? Por que tanto sofrimento e tão dura prova?

Foi uma dura prova. Não tenha dúvidas disso. Eu estava arrasado, enterrando a minha filha. Sim, Kika era como uma filha. Até hoje considero assim. Lembro dela quando estou na Igreja rezando e pedindo por meus parentes e amigos já falecidos; vou ao túmulo conversar com ela de vez em quando, acendemos vela nessa datas de aniversário de morte.

Por isso que fiquei arrasado mesmo, aquele foi o pior momento da minha vida de 52 anos vividos. Não tenho dúvidas. A morte de Zukka mexeu muito também, como contei quando aconteceu, mas Kika…

Eu tive a coragem de imprimir um banner das duas negas e colocar no corredor de casa e sempre que passo as vejo e jogo-lhes um alô , uma sorriso, um beijo, um afago… mas eu ainda não tivera a coragem de escrever esse relato para Kika, comecei e parei por mais de 3 anos, pois não me sentia preparado, mas hoje, aniversário 4 de sua morte, foi o momento. E vos digo que não foi menos dolorido, doloroso, as lágrimas abundaram e os meus sentimentos continuam confusos.

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“Sinto que passeias conosco, sinto que estais sempre a nos olhar, sinto que a tua presença é constante… continue conosco, aqui é a sua casa.

Adeus, querida! tu não morrestes, pois não se morre enquanto se vive no coração e mente de alguém… e termino por aqui o meu relato, mas vou pedir para a sua mama se manifestar na sequência, pois ela certamente tem muitas boas lembranças que poderão somar aqui.

Deus Pai Todo Poderoso, dai-lhe o repouso eterno.”

Só uma certeza: Nada vai me separar do amor de Kika.

Texto: Geraldo Guilherme – 04 janeiro 2017.

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Sobre g. g. carsan

comunicador, escritor, fotógrafo e webdesign
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