CONFRARIA SOL DAS LETRAS SOBE A SERRA DE DONA INÊS

Sinopse: (Evento  I Mostra de Práticas Leitoras em Dona Inês, PB., promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC) e convidados a Confraria Sol das Letras, o poeta local Mariano Ferreira e representante do Grupo Atitude, da cidade de Caiçara, Jocelino Tomaz. Debate em torno do tema: “Ações da Confraria Sol das Letras para o Fortalecimento do Meio Literário na Paraiba”. Na tarde desse dia 21 de outubro de 2016).

i-mostra-9

 

A tarde desse dia 21 de outubro de 2016 deixará marcas indeléveis para os participantes da I Mostra de Práticas Leitoras – Livro vai… Livro vem… Eu leio e você também… na apresentação da Confraria Sol das Letras, na cidade de Dona Inês, PB.20161021_163735

O evento promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC) aconteceu no ginásio do colégio Senador Humberto Lucena, onde a Secretária Ieda Freire, a Diretora da Escola Irani Frazão e os professores das redes municipal e estadual realizaram todo um dia de trabalhos voltados para a importância da leitura e o envolvimento do alunado visitando o local e participando de práticas leitoras bastante interessantes, visando o bem-estar proporcionado pela leitura, a vivência com livros, experiências inusitadas e indução ao assunto através de exemplos variados (teatro, recitais, apresentações, brincadeiras, papo de roda, etc).

Os componentes da Confraria Sol das Letras que subiram a Serra foram Helder Moura (presidente e escritor), Juca Pontes (vice-presidente, poeta e editor), Solange Gualberto (poetisa) e Gustavo Guimarães (poeta), Livraria do Luiz (representada por Daniel).

A chegada na cidade aconteceu às 14 horas e foi servido, na Secretaria citada, onde houve a recepção alegre de Dorita Lima, que serviu um lanche rápido e entregou camisetas personalizadas do evento para os convidados. Depois todos seguiram para o local do evento. (A saída de João Pessoa foi às 11:30h, num carro fretado pela SEMEC e, um outro veículo, também fez o traslado).

O grupo chegou no evento no exato momento em que se fazia a entrega da premiação do Concurso de Leitura. Em seguida, exibiu-se um vídeo com um resumo das atividades da parte da manhã e foi formada a mesa com o tema “Ações da Confraria Sol das Letras para o Fortalecimento do Meio Literário na Paraíba“. Para a mesa foram convidados o poeta local Mariano Ferreira e o representante do Grupo Atitude, da cidade de Caiçara, Jocelino Tomaz. Os trabalhos foram moderados por G. G. Carsan, escritor local, que fizera a ponte SEMEC – Sol das Letras. Foram entregues lembrancinhas para os componentes e ‘certificado participação‘.

Geraldo Guilherme, que utiliza o pseudônimo G. G. Carsan no campo literário, abriu os trabalhos falando do prazer de estar no meio de um evento tão importante para a literatura em sua cidade; da importância e da necessidade de haver o incentivo à leitura para as crianças e jovens, pois como afirmou “Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê”, que é mensagem atribuída a Monteiro Lobato; e de agradecer à Secretaria pelo convite e aos convidados por aceitarem estar ali, em plena sexta-feira, deixando seus afazeres profissionais, para levar conhecimento e experiências para a platéia formada principalmentemente por professores, que serão difusores do que veio a seguir.

Em seguida a palavra foi passada para Helder Moura, jornalista, escritor, presidente do Grupo que há 3 anos realiza com grande sucesso, o evento Por do Sol Literário, com mais de 50 lançamentos de livros, mais de 30 resgates de escritores importantes e esquecidos, e criador de nova efervescência da literatura paraibana. A palavra inicial foi de profundo reconhecimento da grandiosidade do evento organizado, com os painéis, com o material escolhido, com o entendimento dos professores envolvidos, com a quente acolhida dos presentes para com o grupo e confessou estar surpreso, que numa cidadezinha como Dona Inês pudesse haver tanta pujança literária., conforme pudera ver ao conversar rapidamente com o poeta Mariano Ferreira. Helder contou como o Grupo foi criado, da necessidade de afirmar a Paraíba no cenário literário nacional, pois mesmo com grandes autores e ótimas obras, não é reconhecido, como constatou numa feira literária em Frankfurt, na Alemanha – e que precisamos mudar esse quadro – e algo muito importante está sendo feito, que é envolver os autores, levar a boa nova aos leitores, realizar e participar de eventos como esse. O escritor falou de sua obra, O Incrível Testamento de Dom Agapito“, que está na quarta edição, de como foi a luta para publicar e do sucesso que vinha alcançando.

A palavra passou para os demais autores na mesa. Gustavo Guimarães se apresentou e falou de sua obra Versos Ressequidos – Retrato Poético da Seca. É um livro triste que procura a alegria. A tristeza do povo brasileiro é uma licença poética (da sinopse). O jovem autor se garante pela simpatia e pela segurança que passa nas palavras e nos seus textos, chegando a improvisar enquanto informa e arrancando a imediata aceitação.

Juca Pontes, a quem podemos chamar de decano literário, por suas investidas editoriais das mais altas montas, e poeta reconhecido, apresentou Ciclo Vegetal. Nessa obra o escritor constrói uma espécie de viagem memorialista perpassando por lugares que conheceu e viveu na Paraíba usando o rio e o mar como fios condutores. “O caminho do rio sempre esteve presente na minha imagem de criança, ver o rio e observar o mar”. Diz Juca. Neste livro, os poemas são no formato haicai – usado pelos poetas japoneses ao longo dos séculos.

A poetisa Solange Gualberto se apresentou apresentando o seu livro O Que te Digo da Vida, livro de poesias que a lançou no mundo literário. A psicóloga que atua na área educacional falou da sua obra, recitou alguns versos e conclamou os professores a abraçarem a causa.

Em sua fala, o convidado Jocelino Tomaz discorreu sobre o Grupo Atitude, da cidade de Caiçara, cognominada Cidade da Leitura, como começou, como cresceu e como atua no incentivo a leitura e na elevação do nome de sua cidade a níveis inimagináveis no cenário cultural. Apresentou um vídeo com as atividades, apresentou três companheiros que estavam consigo e disse o mais importante no sentido de incentivar: “Se nós conseguimos, vocês também conseguem, e já estão muito bem encaminhados, pois também fiquei surpreso com tantos resultados dessa culminância literária”. Realmente, o Grupo tem feito um grande trabalho e levado e elevado o nome da cidade a patamares orgulhantes, como citado: o grupo estava carregando a tocha olímpica, o grupo estava nas olimpíadas, o grupo participa de eventos na capital, enfim, o grupo não para (com a barraca na feira todo sábado, com os eventos constantes, com a biblioteca, etc).

Por fim, o poeta da casa, Mariano Ferreira, o professor, o paisagista, o ambientalista, fechou a fala dos convidados, do alto de seus mais de 30 cordéis publicados, dos projetos como a maleta do cordel e tantas palestras nas escolas. Falou da importância das letras na vida das pessoas, citou grandes pensadores, do momento de ter aquela mesa falando de literatura em Dona Inês. Mariano lançou um mote: Em mesa de poeta, o cardápio é poesia. E causou sensação ao improvisar alguns versos. Nisso, foi acompanhado por Gustavo Guimarães, que embalado no mote, também versejou para a platéia.

E a platéia formada, como dito, de professores? Uma parte estava conferindo (e comprando) os livros levados pela Livraria do Luiz, dos autores presentes e de outros, e outra parte seguia atenta cada palestrante, claro e chegou à mesa perguntas ou pedidos de esclarecimentos, conforme abaixo:

  • Acredito que todos os escritores passam por dificuldades durante a edição de suas obras. Quais são essas dificuldades durante e depois? O escritor Helder Moura levantou a mão e respondeu: a busca por um editor é difícil, eu enviei meu texto para 9 editoras e somente uma, de Portugal se interessou. Muita gente não consegue editora e banca a produção do livro. Quando tem editora, geralmente tem distribuição nas livrarias. Quando é produção independente, o próprio autor vende direto por internet, deixando em pontos de vendas.
  • A leitura abrande vários públicos, de diferentes meios sociais, qual o público alvo de cada um de vocês? Gustavo Guimarães respondeu essa, dizendo que o seu público era ‘todo mundo’, pois seus versos falam da dureza enfrentada pelo homem nordestino e isso se aplica a todos. G. G. Carsan disse que seus livros são para um público específico, pois 3 livros escritos são direcionados para colecionadores de quadrinhos de um determinado personagem – o Tex.
  • Qual o objetivo de escrever? desde quando vocês escrevem? o que os motivou a escrever? Tanto Gustavo Guimarães como Solange Gualberto disseram que escrever, para eles, é como respirar, vem de longe, de muitas leituras, do meio em que vivem, de ler muito, de estudar muito, e então, surge a vontade, a necessidade de deixar uma marca indelével de suas ideias, de seus conhecimentos.
  • Qual o legado que a escrita e a leitura deixa em suas vidas? Helder Moura disse que tudo o que tem e representa advém das leituras, seja profissionalmente, seja como pessoa, e agora como autor. As letras são suas ferramentas de trabalho. E isso traz um reconhecimento que se torna inapagável.  G. G. Carsan disse que os autores não se vão, pois suas obras estarão presentes.
  • Como é feita a adequação do que vocês escrevem com a realidade virtual com que concorrem? Mariano Ferreira falou da luta entre escrever a realidade que nos cerca com o que as mídias jogam sobre o povo, confundindo as realidades. Jocelino Tomaz citou o trabalho realizado para conscientizar a população contra o uso exacerbado de mídias sociais. Na verdade todo mundo tenta se adequar.
  • Qual seria a melhor maneira de criar e publicar um livro? Tanto Helder Moura quanto Gustavo Guimarães responderam que é escrever, escrever, colocar as ideias pra fora, ordená-las, arrumá-las e colocar ao crivo de um editor, ou arregaçar as mangas e financiar o próprio sonho e desejo. G. G. Carsan citou que existem livros que orientam como preparar um livro e serve de boa condução para um novato e que muitos autores começam pela aceitação dos seus textos pelos amigos. Atualmente, muita gente publica parte de seus textos na internet e dependendo da aceitação (curtidas e comentários) parte em busca de publicação.

Durante as falas dos personagens, livros foram sendo doados. Juca Pontes abriu essa parte, oferecendo um livro para quem viesse ler um texto da escritora Ana Paula Cavalcante Ramalho, do grupo, autora de A Nudez de Laura, que não pode estar presente (A diretora Irani Frazão leu e recebeu a obra de Juca. Depois mais um livro coletânea Travessia Lírica do Sol das Letras (com textos dos autores). Helder Moura ofereceu dois livros, para quem viesse comentar um livro lido e fizesse uma sinopse, e um aluno e uma professora realizaram essa façanha. E ao final, houve uma sessão de autógrafos, pois quem adquirira os livros queria falar com os autores escolhidos, e uma foto. (Uma foto aqui, por favor!!!). G. G. Carsan distribuiu marcadores de páginas com algumas pessoas, professores, da platéia (Romoaldo, Guelma, Dapaz, Espedito, Lucineide, Irani, Tayse, Manassés e Ieda Freire)

Duas ideias que foram plantadas durante o evento:

1 – A SEMEC viabilizar a produção de um livro dos alunos, anualmente, criando os meios para tal, seja individual, coletânea, etc., para realmente incentivar e criar uma história que futuramente será muito rica e representativa. (por G. G. Carsan)

2 – O Sol das Letras fez o convite para que Dona Inês participe do Por do Sol Literário, que ocorre mensalmente, na Academia Paraibana de Letras, levando uma comitiva, para ver, aprender, confabular e vivenciar o evento, e assim, criar mais gosto pela literatura. (por Helder Moura).

Era hora de encerrar por ali, chegávamos às 17 horas. Então fez-se uma corrida ao Museu Municipal e Memorial do Homem do Campo, ali perto, onde nos esperava a servidora Rosa Lídia Toscano, onde os convidados puderam, sob a cura do poeta Mariano Ferreira, conhecer a história desse importante ente cultural que vai se firmando na Paraíba (Dona Inês é a 14ª. cidade paraibana a ter um museu. E este é o 42ª. museu do Estado). Mariano apresentou os jardins, a casa de farinha e seus equipamentos; abriu as portas e janelas da casa de taipas, mobiliada com objetos muito antigos; mostrou a fonte que há no local;  o local onde terá o memorial da pedra (em construção); e adentrou no Museu, onde variadas peças de mobília e de utensílios, e imagens, e toda sorte de objetos de uso doméstico e uso comercial estão expostos. Enquanto apresentava, contava da labuta incansável para conseguir as peças, do investimento municipal com recursos próprios e etc.

20161021_181606

A próxima incursão foi na Biblioteca Municipal, localizada no mesmo local, recheada de livros, onde o poeta pode contar a história da pequena Amanda, grande leitora, que leu 136 livros em um ano e foi motivo de matéria no site municipal e ganhou um brinde: só poderia ser um livro.

20161021_183503

Os nobres visitantes estavam maravilhados e exclamavam elogios a todo instante, com palavras de incentivo, de aplauso, de louvor. Mas ainda havia a visita à Praça do Trabalhador, em final de reforma, que recebeu novo visual, assinado justamente pelo poeta paisagista Mariano Ferreira, com jardins, gramado, árvores da região (cactos), pedras de rios locais, etc.  A praça realmente, está ficando um brinco! expressão usada para afirmar coisa bonita. Era mais um bom momento para fotografias e elas aconteceram.

20161021_185112

Mas havia outra coisa: G. G. Carsan sentiu que poderia aumentar o convívio autoral dos convidados com o poeta e sua esposa Rosângela Santos e perguntou se ele não teria um vinho gelado em sua suntuosa residência para irmos todos degustar. Ele tinha! Fomos todos. Mas não solamente o vinho que Carsan queria mostrar, e sim o magnífico Jardins Suspensos Irmão Sol e Irmã Lua de pedras e floríferas que tem lá, num local alto, descampado, onde, ao lado tem uma laje que serve de camarote na ocorrência das festas locais. No jardim tem uma gruta dedicada a São Francisco. E na laje, sob o vento frio da Serra ainda às 18:30, lá de 520 metros de altitude, acompanhado por queijo branco e azeitonas, curtimos um papo 10 dos menestréis das letras. Pelo que se ouviu, ficou todo mundo com vontade de retornar, principalmente em Junho/Julho, quando a Serra aponta de 14 a 20 graus durante a noite. E não há melhor lugar para se falar de poemas, de romances, e fazer recitais e improvisos, noite adentro.

Para ser completo, é preciso sair de barriga cheia. E estávamos convidados pela Secretaria Ieda Freire para participar de um jantar que seria oferecido aos Professores, em comemoração ao seu dia, passado. E lá fomos nós para o Colégio Humberto Lucena, onde fomos bem recebidos mais uma fez. Aconteceram algumas fotos e foi servido o jantar. O prefeito eleito João Idalino e a esposa Noélia estiveram lá puderam ser apresentados aos visitantes ilustres e fizeram uma fotografia para ficar registrado.

20161021_210605

Após o jantar, era hora de enfrentar a viagem de volta à Capital e depois de efusivas despedidas, agradecimentos mútuos, os convidados viajaram, enquanto a festa dos professores prosseguiria por mais algumas horas, ao som contagiante de Neco Lobão.

De minha parte, iniciei agradecendo e encerro agradecendo pela confiança da Secretária Ieda Freire e carinho de todos em receber bem, em criar o espaço para tão brilhante evento e aos companheiros do Sol das Letras, que também confiaram no convite e se dispuseram a viajar e a levar os seus conhecimentos. Por fim, repetir da minha alegria e do meu orgulho em mais uma vez servir a minha terra querida, nossa Serra Encantada, encantadora, e que venham novos eventos, oportunidades e trabalho em prol de Dona Inês. Foi assim que eu vi. Quem quiser que conte outra! – e use os comentários!

Texto: G. G. Carsan, especial para a Voz da Serra

20161021_211225

Fotos do Evento (Manhã):i-mostra-8 i-mostra-7 i-mostra-6 i-mostra-5 i-mostra-4 i-mostra-3 i-mostra-10

# Fotos do Museu:

20150206_162540 20150206_162039 20150206_162444

  • Fotos do Jardim Suspenso Irmão Sol Irmã Lua20160624_093157 20160624_093231 20160625_083131 20160625_083216

Sobre g. g. carsan

comunicador, escritor, fotógrafo e webdesign
Esse post foi publicado em A Princesa do Curimataú, Cultura na Veia, Educacional e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s