Nos Seus 55 Anos de Independência Política…

Caros amigos da Serra,

Pintando na área mais uma comemoração da Emancipação Política de nossa querida Dona Inês, faz sentido pensar um pouco e analisar o passado e o presente (vamos deixar o futuro para o futuro), de forma que seja sentida a diferença e o seu significado em nossas vidas.

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Para começar, imaginemos como era Dona Inês naqueles dias antes da emancipação. Já foi dito “Por volta de 1959, a Sede do Distrito de Serra de Dona Inês era composta por 277 (duzentas e setenta e sete) residências e possuía uma população de 689 (seiscentos e oitenta e nove) habitantes. Era um vilarejo muito pobre, cheio de buracos e com proliferação de casas de palha e gravatá. Seu povo era pacato e trabalhador”.  A vila era pequena, pobre, feia, carente. De sorte, o povo era aguerrido, sonhador e trabalhava para sair daquela situação.

Com a Emancipação em 1959, demorou um pouco até haver a arrancada. Somente em outubro de 1960 que Mozart Bezerra assumiu e até tomar pé, arrumar dinheiro, demorou mais um tempo. Então, somente em fins de 1961 que chegaram as novidades: abertura das ruas Major Augusto, Manoel Pedro, João Pessoa, José Paulino, Ana da Conceição Melo, José Carolino e Pedro Teixeira, e construções de edifícios públicos Prefeitura, Mercado, Grupo Escolar e por fim energia elétrica na Manoel Pedro, entre outras atividades menores. Aí já se formava a periferia. Onde está a Praça do Trabalhador havia uma sequencia de casas de palha. A subida do Grupo Velho era de uma pobreza só. A Nova Brasília também ficava a desejar. Não havia assistência social.

Os anos se passaram, mas tudo era muito devagar. Um Prefeito podia se dar por muito satisfeito se conseguisse inaugurar uma, duas obras durante todo o mandato. Não havia o repasse do FPM. O primeiro veículo da Prefeitura foi uma doação do Estado. Chicute conta que Joaquim Cabral botava dinheiro do bolso para a coisa funcionar quando a necessidade imperava. Atualmente, um Prefeito trabalhador consegue inaugurar diversas obras de vários setores e níveis, criando empregos e serviços para a população e os repasses, se não dão pro gasto, pelo menos são permanentes e possibilitam planejar, além das emendas parlamentares, que direcionam serviços e maquinário para o município.

Dona Inês era um nada no mundo, só havia na cidade uns 10 veículos, a maioria de transporte de passageiros ou de mercadoria, embora houvesse a mistura (gente misturada com mercadoria nos caminhões, paus-de-arara, camionetes) e hoje os caminhões dos fornecedores entregam as mercadorias na porta do estabelecimento. Em toda a cidade havia uma TV colocada no Mercado, para ser vista em determinado horário, à noite, em comunidade. Só pegava uma emissora, a Tupi. Depois Fabiano e Iêda compraram uma tv e muita gente se dirigia pra lá assistir filmes e novelas. Mais tarde Chicute adquiriu uma de 14 polegadas que fazia sucesso e a casa cheia com gente trapada nas janelas. Só havia uma moto (das antigas) na Serra, era da Prefeitura, depois uma lambreta, e restava a bicicleta para a maioria. Vejam hoje, senhores, todos de carro, de moto, tv de led sobre móveis planejados.

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Uma vez por ano vinha uma máquina do Estado para dar manutenção na estrada principal, bem depois do inverno. Era buraco e poeira o ano inteiro. Hoje temos o asfalto e uma patrulha motorizada que trabalha sem parar. A Prefeitura tem uma frota de veículos composta por cerca de 30 veículos e máquinas a serviço da população.

De manhã as pessoas deixavam a cidade e iam para os roçados, longe, a pé ou de bicicleta, roçar mato, caçar rolinhas e nambus, tirar lenha, fazer colheita, fazer farinhada, cuidar dos animais… hoje o campo foi praticamente abandonado, todos tem a sua moto para ir e vir (mesmo que ajam fora da lei), as pessoas estão estudando, profissionalizando, abrindo negócios, o município se tornou mais urbano do que rural invertendo a rota anterior.

A cidade cresceu, subiu os morros, praticamente eliminou as casas de taipas e o que se vê atualmente são pequenos arranha-céus de 3 andares surgindo, o que leva a voos mais altos logo logo. Agora não é somente o Centro. Agora a cidade tem bairros como Nova Conquista, Nova Cidade e conjuntos. A cidade está quase toda calçada. Tem ginásios de esportes, tem colégios, tem estádio de futebol, tem creches, tem uma rede de assistência social com profissionais de gabarito.

Precisávamos viajar para estudar, deixar a cidade todos os dias, espremidos num ônibus, agora tem escola sobrando, com transporte, com merenda, com fardamento, com kit escolar, com salas climatizadas, com professores preparados, com informática, biblioteca, sala de jogos, acompanhamento e orientação pedagógica.

E como tudo isso aconteceu? através dos administradores que deram a sua contribuição com ideias e trabalho para seguir sempre adiante – podemos ver que a cada administração a cidade foi crescendo mais e mais, acumulando tijolos e pedras; com a força dos filhos da Serra, que saíram, aprenderam e retornam para fazer bonito e grande em sua terra; com a educação e conhecimento da população para reivindicar, correr atrás até conseguir as melhorias que são implantadas em várias partes do Brasil

Mesmo onde não parece que houve avanço, tem avanço sim Senhor. O nosso povo não é muito apegado ao aspecto cultural, ao bom uso do meio ambiente. Ouve na tv e no rádio, mas faz ouvido de mercador. Não dá bola. Mas mal sinais da devastação estão aí e quando começam a fazer efeito é que são levados em conta – já aparecem doenças que não haviam aqui, já temos pessoas sofrendo e morrendo por causa do efeito estufa e da camada de ozônio – canceres de pele surgindo. É preciso um olhar especial e carinhoso para a questão da preservação e da cultura. Antes não valia nada e agora já vale um pouco. Com a chegada do Museu e a preservação da memória histórica é provável que novos horizontes sejam alcançados. A juventude está estudando mais e provavelmente teremos uma base melhor preparada num futuro próximo.

Por isso, e por muito mais que não tratamos, pois é assunto para um livro inteiro, podemos afirmar categoricamente que Dona Inês está de parabéns pela passagem do seu 55º. aniversário de Emancipação Política, por ter conseguido agregar tantos valores, quando outros municípios, a nível de comparação, não tem muito o que apresentar. E por mais que não queiramos falar em futuro, é sempre bom perceber que estamos alicerçados para um futuro promissor, pois a base é bastante sólida e só tende a melhorar. Uma hora todos começarão a colher os frutos dos investimentos em trabalho e em edificações passados e presentes e surgirá uma nova onda desenvolvimentista que atrairá para cá mais investimentos e assim sucessivamente, e será um momento muito importante este, pois as pessoas estarão mais abertas para as oportunidades e esquecerão o fator luta pela sobrevivência com a máscara lateral que oprime a visão, e nesse ponto serão importantes as nossas belezas naturais preservadas, o nosso povo bem educado, a nossa cultura como portfólio e tudo funcionando como um relógio.

Dona Inês, aquele abraço! apertado e demorado. Nós, teus filhos… ah… tu sabes… nós te amamos!

Geraldo Guilherme, especial de aniversário para a Voz da Serra.

Novembro de 2014

Sobre g. g. carsan

comunicador, escritor, fotógrafo e webdesign
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Uma resposta para Nos Seus 55 Anos de Independência Política…

  1. FERNANDO disse:

    parabens pela matéria Guilherme, muito bacana

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