Saí Bem na Foto?

Caros amigos da Serra,

-obturador-de-câmera
Durante mais de 100 anos descobrimos e nos rendemos à arte da fotografia. De 1970 a 2000, o mundo todo comprou máquina fotográfica, clicou muito e revelou as mais belas imagens que inundaram todas as massas e formaram milhares de álbuns e porta-retratos.

Aí veio o computador, chegou a internet e logo a seguir a fotografia digital. A fotografia deu um salto. Mas que salto foi esse?

Acostumado que estava com as antigas tecnologias, duradouras, onde as marcas sustentavam os seus produtos e todos conheciam e confiavam porque havia a certeza de que não mudariam abruptamente, quase apostei que a fotografia digital não mataria o velho, bom e saudoso filme. Que nada! em poucos meses os meus clientes ligavam e a primeira pergunta era se fotografava com câmara digital. Aderi urgentemente aos novos tempos.

E o que aconteceu depois? houve a massificação das câmaras digitais e da fotografia que é feita, ver-se na hora o resultado, entre haspas, e tome clic, tome pose, tome registrar tudo… baixa na computador, salva no CD, salva no DVD, depois eu imprimo as melhores… etc. E como estamos hoje?

Milhões de fotos são introduzidas na rede mundial de computadores todos os dias, retratando tudo o que acontece, desde uma descoberta da Nasa numa Galáxia ultra distante, passando pela abalroada entre duas motos no Oeste de Minas Gerais, até a descoberta de um grilo exótico numa oca do Alto Xingu. E não está bom assim? Lógico que está bom! todos vivos e fortes. Mas  o que aconteceu com o mercado fotográfico, como estão os fotógrafos profissionais?

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Logicamente que as coisas mudaram por lá, por cá. A produção e venda de filmes foi praticamente a zero. Com isso, a venda de máquinas que revelavam os filmes também estacionou. O consumo de papel fotográfico despencou. Passou-se a vender máquina fotográficas digitais de bolo, chegando a ser o item mais presenteado em 2009 e 2010 no periodo natalino. Agora a coisa estacionou. Os celulares passaram a trazer equipamento fotográfico de qualidade e as câmaras estão sendo deixadas de lado. E os tablets também fotografam. Está praticamente decretado o fim das câmaras fotográficas? Tá tudo dominado!!!

O fantástico momento da revelação manual em laboratório, o mágico ato de revelar o filme na loja e ir buscar pra ver como saíram as fotos… isso não existe mais. Agora é: pose, clic, ficou bom-olha aqui, deleta, bate outra. Com a chegada do orkut, depois facebook, twitpic, histagram, as coisas mudaram mais e mais ainda. E daí?

Acontece que estamos fotografando nossos melhores momentos e são todos, ida a praia, ao shopping, a aula, a academia, ao restaurante, ao lava-a-jato, no quarto, na guarita, na cozinha, Miami, estação de esqui, Dubai… e jogando tudo nas mídias sociais e no HD, sem fazer backup, sem imprimir e vamos acumulando material. Se fôssemos imprimindo paulatinamente, não ficaria tão caro, mas acumulando anos e anos, ficará inviável imprimir porque o custo será alto.

Aí, de repente, quando acordarmos para Jesus e formos atrás das fotos… ahn ahn??? o quê? não é possível! eu não acredito! Alguém vai perguntar o que aconteceu e a possível resposta será: As fotos não abrem… entrou um vírus e perdi tudo… roubaram o meu celular…, a empregado jogou fora o CD com as fotos de Bruninho… alguém apagou as fotos do meu pendrive. Aí fica difícil, muito difícil né mesmo?

Os eventos, as lembranças, os bons momentos, os registros importantes… tudo foto abaixo e já era. Não  tem jeito, tchau! dançou amigo. O jeito é lamentar. Hoje a maioria dos fotógrafos entrega um DVD com as fotos do evento e apaga os seus registros. Depois o cliente não tem como recuperar as fotos se houver um problema com o álbum. Tem que guardar o DVD com muito cuidado.

Os laboratórios estão mudando de cara e se especializando em outros serviços que envolvem a fotografia. Daqui a pouco não conseguiremos mais revelar um filme nem nas capitais. Tem muita máquina virando peça de museu. Um empresário do ramo confessou que as suas máquinas (que custavam 500 mil reais e tem capacidade de revelar 5 mil filmes) estão obsoletas e quando quebrarem serão desligadas pra sempre, pois não compensa consertar.

Todo mundo virou fotógrafo de uma hora pra outra. Estes usam de artifícios pouco profissionais e aceitam qualquer negócio. Um deles é fotografar um evento e entregar um CD / DVD com as imagens, sem edição, sem ampliação, por um preço de ocasião. Assim, maltratam o mercado em todas as vertentes.

E tem outro fator medonho acontecendo e agora puxo a sardinha para o meu prato, fotógrafo que sou, mas é verdade e precisa ser dito: O pessoal está fazendo festa de evento com celular, com tablet, com máquina digital de pequeno porte. Gente, isso não pode! Esses equipamentos só fazem boas fotos quando você está numa iluminação perfeita como a luz do dia. Em ambiente fechado, a noite com luz de fluorescente não sai foto que preste. Sai lindo no visor do aparelho que tem uma compensação de luz, mas não se engane. Quando for ampliar as suas fotos, a decepção será maior do que a economia feita. Para fotografar um evento com qualidade ainda é necessária a presença de um fotógrafo de sua confiança, com bom equipamento, experiência e compromisso com a profissão.

O que me levou a escrever este post foi exatamente o fato de estar buscando junto a familiares dos ex-Prefeitos de Dona Inês por fotos para formar a galeria dos prefeitos e encontrar alguma dificuldade. Aí me veio a ideia da dificuldade que teremos no futuro, mesmo com tanta tecnologia presente, se não tivermos o cuidado de salvar e resguardar os momentos importantes, históricos e de lembranças que nos cercam.

E agora a pergunta que se apresenta: Como ficará o mundo sem fotógrafos, sem suas fotos maravilhosas, sem os registros das pessoas que passam por esse tempo? E cabe um alerta: Amanhã ou depois, o orkut e o facebook saem do ar e tudo que você colocou lá está perdido, certo? e mesmo que isso não aconteça, pode ser que você perca a sua senha, ou mesmo que um hacker invada o seu perfil.

Olha, sinceramente, melhor fotografar e passar as suas fotos para o papel. Aí sim, a garantia aumenta em 30 anos pra frente, com direito a cópia, restauração, edição e mais 30 anos de renovação.

Geraldo Guilherme, cuidando das suas lembranças.

Sobre g. g. carsan

comunicador, escritor, fotógrafo e webdesign
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