Antonio Pedro é o nome dele

Caros amigos da Serra,

Há poucos dias eu soube que o meu amigo Antonio Pedro estava hospitalizado e a gente pensa logo o pior, só porque ele já passou dos 80 anos e tem algum tempo que vem lutando pra se manter vivinho da silva. E ontem vi uma mensagem de sua filha Raimunda agradecendo ao Papai do Céu pela vida do seu Papai da Terra, que deixou o hospital. Olha que coisa bonita!

Depois de ver essa mensagem, passei alguns minutos pensando como a vida é danada, ela vem e daí em diante não tem dia nem hora… pode ser a qualquer instante, bobeou, dançou. E às vezes não precisa bobear não, é o tempo e pronto.

E passou também um filme. Nele Antonio Pedro foi o protagonista. Conheci S. Antonio, como me dirijo a ele, lá nos idos de 1970, ainda garoto, quando ele passava a cavalo diante da minha porta, ali na Manoel Pedro, ou mesmo quando ia visitar D. Santa, que morava ao lado. Eu só ouvia dizer que ele era o vaqueiro de Joaquim Cabral e que mandava da banda de cá do lajedo até a beira do rio – rio Curimataú.

Ele administrava aquela parte que era de mata fechada, de muitas vacas e bois, de muita ladeira e de muitos moradores. Antonio era o cara por ali. Lembro de uma vez quando passou na rua e vestia uma roupa de couro – gibão, guiando uma tropa de vaqueiros.

E no filme relembrei o quanto era dura a vida e duro aquele homem acostumado a lidar com touros bravios, vacas ciumentas e bezerros desmamados, além de novilhas safadinhas e ladronas. Quanta dureza foi passar mais da metade da sua vida montado no lombo de um cavalo perante o sol escaldante do verão, suportando o calor do gibão e do chapéu de couro aquecendo o seu cérebro, das botas apertando os pés, além das corridas perigosas por dentro de mata fechada ou de amorosa de espinhos duros para dominar ou tanger um animal. Quanta sede deve ter passado, quanto suor escorreu pelo rosto, quanta vontade de uma soneca depois do almoço, mas só tinha sol e ladeira e o dever para cumprir.

Uma vez fui lá na Beira do Rio com o seu filho, o meu grande amigo Mano, e lá fizemos uma cavalgada muito legal e nesse dia passei muito perto da minha primeira queda no lombo de um cavalo em pelo. Foi emocionante. E Antonio Pedro deu risada quando me viu quase voar pela cabeça do cavalo e disse: Esse é dos bons! Não cai.

Pois é, Antonio Pedro é o nome dele, esse homem forte e corajoso, que desafiou o seu tempo e continua entre nós, firme e forte, na luta para se manter junto da sua grande família. Parabéns e continue conosco enquanto for possível. E se puder, deixe-nos algumas histórias de suas experiências para que sirvam de exemplo para os que estão e virão.

Geraldo Guilherme, escritor e fotógrafo.

Sobre g. g. carsan

comunicador, escritor, fotógrafo e webdesign
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3 respostas para Antonio Pedro é o nome dele

  1. Eita amigo Guilherme, você me fez chorar e sorrir, ao mesmo tempo, como pode? Parece coisa de doido? ou de bobo? Sei lá!!! Sabe, são poucos os poetas, escritores e até mesmo os fotógrafos, que estimulam esses dois sentimentos ao mesmo tempo, numa mesma pessoa, só os que dispõem de uma sensibilidade na hora de escrever pra alguém!!!

    Eu só tenho muito a lhe agradecer, primeiro pela sua amizade, depois por fazer essa homenagem vivenciada do meu pai por você!!!
    Que você continue assim, desse jeito de escrever, com muita inteligência e sensibilidade, não só por esse comentário, mas, em outros comentários brilhantes, da nossa vivência social!!

    Muitíssima obrigada!!! Parabéns!!!

  2. Mano disse:

    Caro amigo guilherme você fez me passar um filme do passado, porem o tempo passa e passou pra meu pai também, ele que era um homem muito ativo, forte, Independente, mas hoje aos seus 85 anos a historia é outra precisa de assistência a saúde e principalmente da familia e dos amigos, mas como sempre foi um guerreiro continua lutando firme pra se manter entre nós, agradeço a Deus por me dar esse privilegio de ter me dado essa possibilidade de está convivendo com seu Antonio mesmo que sua saúde já não seja a mesma, agradeço também pela lembrança e não deixa de ser uma homenagem ao meu velho.

    abraço fraterno do amigo Mano.

  3. G.G.CARSAN disse:

    Que bom que gostaram e relembraram tempos idos de vossas vidas. Ah se todos pudessem escrever um capítulo do que viram, ouviram e viveram ao lado de Antonio Pedro. Certamente daria um livro de 2.000 páginas e ainda faltariam os anexos.
    Abraços e se quiserem, tragam mais informações dele. Acho que poucos sabem que é RGNortense.. E morando na fronteira sudeste do município, tinha um irmão na fronteira oeste.

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