Deu Brasil de Novo!

Futebol é uma coisa que mexe com o povo, ainda mais o povo daqui e o povo de lá.
Quando Brasil e Argentina entram em campo, tudo pode acontecer, mesmo se o jogo for zero a zero.
Ontem assisti ao jogo e vi um jogo corrido, pegado, com a emoção que sempre envolve um clássico desse naipe. Os caras não estavam jogando nada antes, mas quando se enfrentam, reaprendem e praticam um futebol bom de ver, se bem que muito frenético.
Por puro azar argentino a bola não entrou duas vezes, e por pura sorte brasileira a bola achou o caminho do gol nas duas vezes que a chance se fez.
Infelizmente, quem perde não aceita, tem que botar a culpa em alguém. É assim desde o ano 33. Justificar para se livrar, justificar para não ceder, justificar para continuar.
Os hermanos chegaram afoitos, distribuíram peitadas e afrontas nos brasileiros, mas tomaram foi olé. Por falar no Olé, dessa vez o jornal amenizou para o lado da Seleção e também ficou tentando proteger o Messi, que definitivamente não joga bem pelo seu país de origem, pois argentino ele não parece ser.
Na verdade, o Messi é a tentativa do futebol argentino se tornar grande como foi nos tempos de Maradona, o famoso Mão de Deus, que fez gol irregular em Copa do Mundo e os hermanos aplaudem e admiram. Ah, var!
O estilo de jogo do Messi na sua seleção não funciona. O futebol vertical que ele pratica não é acompanhado pelos outros. O Aguero entra na área, desajeitado, atropelando o Daniel e depois cai, e ficam pedindo um penal baseado numa imagem de um ângulo que lhes favorece. E o Otamendi imaginou que passando por dentro do Arthur cortaria caminho para o gol e conseguiria chegar na bola.
A Argentina não tem o Messi, mas o Brasil tem Jesus.
Agora posso dizer: O Brasil já ganhou de novo da Argentina. Foi uma noite digna de um Penta Campeão Mundial.
 
G. G. Carsan, para a Voz da Serra.
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O Que é Mais Importante?

Caros leitores, amigos e amigas, venho mais uma vez escrever um pouco sobre o momento político nacional, no afã de pedir um desarmamento total de ideias radicais e mais notícias verdadeiras tomando conta do espaço midiático.

Quase um ano depois da eleição que levou Jair Bolsonaro para o Planalto e Presidência do Brasil, os ânimos continuam exaltados, as armas (que Bolosonaro queria liberar) totalmente armadas e prontas para cuspir intolerância, mentiras, ira, fofocas e discussões medíocres. E tudo isso porque os eleitores que perderam a eleição não aceitam a derrota e passam a falsa ilusão de que lutam por um Luiz Inácio Lula da Silva liberto de uma condenação que dizem ser arbitrária e imposta sem provas contundentes da culpabilidade do citado.

É verdade que Lula e Dilma foram tirados da vida pública de forma atabalhoada, tempestiva, mas existe um jogo do poder, pelo poder, jogado a todo instante. E todos ali podem ganhar ou perder na velocidade do raio, e quem se queima, dança.

O fato principal para a maioria da população é que Lula é culpado pelas mazelas que invadem o Brasil e não perdoam que ele tenha roubado (não está provado claramente) e/ou deixado roubar. Todos, eu falei todos, os integrantes do alto escalão do Governo do PT sob a égide de Lula estão presos e realizando delações premiadas que ligam o ex-Presidente a todos os fatos nocivos à Nação que se tem notícia no seu período. E Lula era o Presidente, o homem que detinha o poder, o responsável maior pelo país que governava e, como tal, não poderia jamais deixar a roubalheira reinar como reinou. Nos 16 anos do PT, o Brasil passou por muitos escândalos e operações que vieram à tona com a Operação Lava Jato.

O que o Lula fez foi ampliar o programa Bolsa Família, que trouxe alento a milhões de brasileiros. Lula foi inteligente quando livrou o Brasil da crise econômica mundial em 2008, ao dizer que o povo deveria manter o consumo normalmente, para não fechar empresas. Deu certo. Mas duas ações em 16 anos é muito pouco, embora o bolsa família tenha lhe dado visibilidade, poder e estima. O Lula é um político nato. É um orador com muita eloquência, moldado pelos anos de luta na frente do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Paulo.

No período petista, o Brasil também jogou muito dinheiro pelo ralo devido a ganância de aparecer para o Mundo ainda mais, contratando uma Copa do Mundo e uma Olimpíada em 2014 e 2016, respectivamente. Ora, o país gastou 40 bilhões a mais em cada organização dos eventos e deixou muita obra incompleta, unusual, entregue às baratas. Além disso, bancou a Transposição do São Francisco visando o Nordeste, seu curral eleitoral, e dessa feita, inconteste, subiu de 4 para 12 bilhões o preço da obra, certamente superfaturando o projeto inicial. E Dilma Rousseff deixou o governo vitima de impeachment por ter realizado ‘pedaladas’ e foi flagrada.

Bem, tudo isso escrito para dizer que concordo com a prisão do Lula. Roubar ou deixar roubar um país do tamanho do Brasil, deixando milhares de pacientes morrerem à míngua num hospital por falta de medicamentos, devido a falta de grana para investir, é algo que considero como um crime de genocídio. Deixar uma dívida anual de 170 bilhões negativa na balança comercial é de uma irresponsabilidade tamanha, que atesta a total falta de competência para governar o nosso gigante verde e amarelo. E ter todos os seus principais assessores presos de forma comprovada, inclusive com delatores abrindo o jogo para as autoridades é, para quem tem um pouco de juízo a condição sine qua non para justificar que o ex metalúrgico do ABCD paulista está realmente encrencado, preso, condenado e com vários processos para lhe trazer mais dissabores.

E chegamos na discussão ocasionada pela ascenção de Jair Bolsonaro ao poder, eliminando o candidato Haddad, do PT, que derrotado, prometeu guerra cerrada contra o presidente eleito. De fato, podemos afirmar que o palanque não foi desfeito e isso tem ocasionado essa matéria, que visa afirmar com segurança ‘ o que é realmente importante’.

Boa parcela da população petista tem tentado desestabilizar o governo de Bolsonaro, a todo custo, espalhando matérias inventadas, editadas, dúbias, diariamente e bem divulgadas por todo o Estado da Paraíba. E essas pessoas acabam pautando a vida de quem tem tempo e gosta de discutir política. E consequentemente, faltará tempo para estudar, para ler, para caminhar, para ir às compras. Uma postagem de celular, defendendo Bolsonaro ou Lula logo recebe milhares de comentários de todos os tipos imagináveis, com a intolerância arraigada e as fake news realizadas diariamente.

Ultimamente, estão tentando desestabilizar o Ministro Sergio Moro, devido supostas palavras trocadas entre o Ministro e um representante do Ministério Público. Todos sabem que Moro era a alma da Lava Jato enquanto Juiz. Antes tentaram com afinco derrubar Bolsonaro, com criações bastante sofríveis, cujo tiro acabou saindo pela culatra.

O que mais causa espécie, impressiona, parece hilário, é que os nossos professores de níveis superior estão engajados pró Lula, pedindo a sua liberdade, sem ao menos pensar que ele foi o principal responsável pela própria Lava Jato, que foi julgado e condenado, está preso e tentando tumultuar as águas. São pessoas que estão enfrentando o Judiciário e o Executivo e parte do Legislativo, para ver o Brasil da forma que defendem, entregue aos bandidos que reinaram por um bom tempo antes de irem para o xilindró.

Para essa gente, é bem normal defender um presidiário, condenado. Como se pode ir contra as leis do seu País? Existe uma resposta para isso. Essas pessoas, se não são partidários, estão com medo de um governo que prometeu mudar o Brasil, cortando gorduras onde os recursos públicos são mal gastos. Acreditam que o Lula, para eles, é melhor, pois deixa correr solto e podem aprontar atos ditos ilícitos, sem riscos de penalidade. Quem defende bandido, condenado, pode ser chamado do quê? De bandido? Quem incita a violência contra o governo constituído, pode ser tachado de quê?  De subversivo, de traidor?

Palocci, Dirceu, Sergio Cabral, presidentes de Empreiteiras, Odebrecht, Cunha, todos vivemos para ver a corja presa e através de delação premiada, todos apontaram para Lula como o chefe. E não tem outra explicação para o que todos viram. Mas criaram uma tese de conspiração e pretendem por o Brasil a ferro e fogo para alcançar os seus intentos.

O governo Bolsonaro finge que não vê, vai tentando acertar o passo, o que não é fácil em situação normal, imaginem num tumulto incessante orquestrado por internet e emissoras de Tv, como a Rede Globo, que hoje vive as retaliações governamentais e está cortando gastos com uma faca afiada, após perder a boquinha no governo federal.

Um novo governo passa o primeiro ano conhecendo a dinâmica da máquina administrativa. Para um país do tamanho do Brasil é praticamente impossível fazer tudo como no script. No segundo ano as coisas tendem as melhorar. Mas para isso é preciso conversar com as partes para que haja um respeito mútuo. A intolerância precisa ser abafada.

Pessoalmente, não acredito que nenhum governo consiga ajustar, controlar, organizar e comandar o Brasil. Tem muita esculhambação, drogados, servidores públicos preguiçosos, total desrespeito às leis e corrupção ainda ativa e reinante em cada Estado e Município desse enorme país. Todavia, compete ao seu povo arregaçar as mangas e colocar para funcionar. Dividir forças significa essa eterna luta pelo poder.

O Brasil precisa de um choque poderoso capaz de impor medo na população, que assim, poderá voltar a trabalhar e pensamento em crescer como pessoa, buscando com afinco trazer as melhoras para o povo brasileiro.

Volto a insistir que parem com a esculhambação e xingamentos à toa. Façam sua defesa com responsabilidade e correção, agarrando todas as chances de seguir sempre adiante. Grito e xingamentos somente acirram os ânimos e ver-se o “quem grita mais chora menos”.

Geraldo Guilherme

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6ª. Mostra do Clube Tex Portugal

Caríssimos Senhores e Honradas Damas,

Cumpre-nos aqui na Serra Encantada para os milhares de seguidores desse Blog, datar, divulgar, parabenizar, confraternizar e saudar os amigos portugueses e italianos que estarão a brilhar imenso nos dias 27 e 28 de Abril de 2019, fim de semana que se aproxima meteórico, para festejar com pompa, circunstância e galhardia o maior herói de quadrinhos de faroeste de todos os tempos e locais, conhecido em toda parte e que atende pelo nome de Tex… Tex Willer.

Anadia, em Portugal, tornar-se-á a Capital Mundial do Tex nos próximos dois dias e para lá estarão focados e virados milhões de olhos vindos de todas as partes do Globo, para ver Tex, Galep, Bonellis, Brindisi, De Angelis, Dorival, Schneider, Zeca, Mario e tantos outros, que farão e darão honras e glórias ao Grande Herói do Faroeste, aquele que faz Justiça a Qualquer Preço, é conhecido como Águia da Noite e é Tex, 70 Anos do Cowboy Justiceiro, bem completados e comemorados.

Sem muitas delongas nem milongas, vamos diretamente à reportagem divulgada no Blog Tex Portugal, assinada por José Carlos Francisco.  Chamando os texianos Antonio Pereira, Ivan Araújo e G. G. Carsan.

PROGRAMA OFICIAL da 6ª Mostra do Clube Tex Portugal

abril 26, 2019

PROGRAMA OFICIAL

da 6ª Mostra do Clube Tex Portugal

Data: 27 de Abril (sábado) e 28 de Abril (Domingo)
Horário: 11h00 – 19h00 horas
Local: Museu do Vinho Bairrada – ANADIA
EntradaGRATUITA, com direito a entrada, também gratuita, na Exposição Permanente, designada por Percursos do Vinho e exposta ao longo de seis salas temáticas, com peças de valor arqueológico, etnográfico e técnico, reunidas com a colaboração de diversos vitivinicultores, entidades locais e nacionais; e na Exposição Temporária 15 Anos do Museu do Vinho Bairrada”, exposição que faz regressar ao museu o trabalho de alguns artistas e instituições que, ao longo destes anos, colaboraram com este espaço museológico.

Tema: A Mostra tem como ponto alto a exposição “Tex: 71 anos – 71 rostos”, mas sobretudo a presença de dois consagrados desenhadores italianos de banda desenhada: Bruno Brindisi e Roberto De Angelis, que vêm expor trabalhos de sua autoria relacionados a Tex Willer:

Bruno Brindisi com “I due desertori – Uma dúzia de pranchas do autor, seleccionadas pelo próprio, que pretendem dar a conhecer, aos visitantes, no seu formato original, algumas da mais belas páginas desta sua primeira história do jovem Tex Willer.

Roberto De Angelis com Vivo o morto” –  Uma dúzia de pranchas do autor, seleccionadas também pelo próprio, que pretendem dar a conhecer, aos visitantes da 6ª Mostra do Clube Tex Portugal, algumas da mais belas páginas da primeira  história do jovem Tex Willer.

Programa

Sábado, 27 de Abril
15h00 – Inauguração Oficial da 6ª Mostra do Clube Tex Portugal (Auditório);
15h20 – Inauguração das Artes de Bruno Brindisi e Roberto De Angelis na Ala Tex do Museu do Vinho Bairrada.
15h30 – Espumante de Honra, aberto aos convidados e público presente.
15h45 – Visita guiada por Bruno Brindisi e Roberto De Angelis às suas exposições;
16h00  Apresentação das mais recentes edições de Tex (Polvo) com a participação de Rui Brito e Mário João Marques (Auditório);
16h30  Sessão de autógrafos com Bruno Brindisi e Roberto De Angelis, disponível para todo o público presente, durante a qual os autores terão oportunidade de assinar os desenhos feitos por cada um especialmente para os cartazes da Mostra.
17h00  Desenho ao vivo com Bruno Brindisi e Roberto De Angelis, EXCLUSIVO para sócios do Clube Tex Portugal (desenhos para não sócios somente depois de atendidos os pedidos dos sócios presentes);

20h30 
– Jantar/Tertúlia com a participação de Bruno Brindisi e Roberto De Angelis (Restaurante “Nova Casa dos Leitões”).

Domingo, 28 de Abril
11h00  Desenho ao vivo com Bruno Brindisi e Roberto De Angelis, EXCLUSIVO para sócios do Clube Tex Portugal (desenhos para não sócios somente depois de atendidos os pedidos dos sócios presentes);
12h00 – Sessão de autógrafos com Bruno Brindisi e Roberto De Angelis;
12h30 – Almoço/Tertúlia com a participação de Bruno Brindisi e Roberto De Angelis (Restaurante “O Sargento”).

15h00  Conferência Tex da autoria de Antonio Mondillo, com a participação de Júlio Schneider (Auditório): “1) A biografia de Tex e como se chegou à criação da sua data de nascimento; 2) As personagens históricas da saga de Tex; 3) A censura em Itália sobre Tex nos anos ’60”;
16h00  Sessão de autógrafos com Bruno Brindisi e Roberto De Angelis;
17h00  Desenho ao vivo com Bruno Brindisi e Roberto De Angelis. EXCLUSIVO para sócios do Clube Tex Portugal (desenhos para não sócios somente depois de atendidos os pedidos dos sócios presentes);
18h30  Festa de Encerramento.

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Dona Inês – Seu Povo, Sua História

Caros amigos, todo humano que tem apreço e apego à literatura objeta por escrever suas crônicas, contar a sua vida e falar da sua terra aos quatro ventos. E comigo não poderia ser diferente. Eu quis sim colocar a história, fatos e atos num livro.

Ficou assim:

Título: Dona Inês – Seu Povo, Sua História

Autor: G. G. Carsan

Ano: 2018

Número de páginas: 230

Impressão: Gráfica Moderna

Assunto: A história de Dona Inês da fundação até o ano de 2018. Fatos políticos, religiosos, esportivos, as personalidades, fatos inesquecíveis, belezas naturais, a luta pela terra.

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2019 – Nada Mudou

Caros amigos,

Tudo foi em vão. Nesse tempo em que não postei nada, o Mundo não mudou nada para melhor. Mudou para pior. As pessoas estão cada vez mais individualistas, preguiçosas e cheias de direitos. Está cada vez mais fácil topar com um intolerante.

Tudo o que é coisa ruim aumentou sensível e grandemente. Os índices são os maiores em tudo.

A humanidade tem tudo para crescer e faz tudo para derribar.

G. G. Carsan.

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CARNAVAL CHEGANDO E ESTOU AQUI PRA ALERTAR

Caros amigos da Serra,

Depois de um tempo recluso nessa ferramenta, eis-me de volta justamente no período de carnaval, quando sempre apareço para trazer os alertas necessários para se ter uma folia de Momo com ida, aproveitamento, volta.

Bem, no ano de 2017, o Carnaval foi inesquecível para muita gente, mas muito mais para os familiares de 140 pessoas que não retornaram para casa. Vejam:

“Balanço divulgado nesta quinta-feira (2) pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) revela que o número de mortes em rodovias federais durante o Carnaval teve aumento de 23,9% neste ano na comparação com o feriado prolongado do ano passado. Foram 140 vítimas fatais entre os dias 24 de fevereiro e 1º de março, 27 a mais do que no mesmo período de 2016.”

Imaginem o prejuízo para essas famílias que ficaram sem seus entes queridos. A dor que não se acaba. Mas quem está preocupado com isso, né mesmo?

Se for viajar no feriado de Carnaval, quando se para o País  já lascado por uma semana, a troco de quase nada, então ao menos respeite as leis de trânsito, seja educado por onde passar, respeite e tolere as pessoas que encontrar.

Algumas opções para quem vai ficar em casa:

1 – aproveite para ler bastante, aumente o seu conhecimento, aproveite para se encorpar enquanto a concorrência joga fora sua energia.

2 – use e tempo para arrumar as pendências de casa, do apartamento, do carro, fazendo aqueles serviços mais simples.

3 – faça algo que lhe agrada, como tocar violão e cantar, caminhar na natureza, assistir filmes, dormir muito, brincar com as crianças, comer pipoca, sentar na calçada com amigos.

4 – planeje como será o seu ano e parta na vanguarda quando o bonde Brasil fizer carreira.

5 – realize encontro familiar, visite amigos e parentes, dê uma atenção para os seus pais, puxe do armário os álbuns de fotografias.

6 – economize um bom dinheiro optando por ficar em casa, mas se alimente bem e com prazer, sem exagerar naqueles alimentos vilões.

Espero te ver no próximo carnaval, vivo e forte, brilhando por onde estiver.

Geraldo Guilherme, para a Voz da Serra e arredores.

 

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SÃO SEBASTIÃO DE OUTRORA

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Festa na Manoel Pedro

Estava me lembrando aqui, revivendo o passado – “ser de novo adolescente, fazer planos pra nós dois, rabiscando guardanapos, me sentir apaixonado, pra dizer que eu te amo”, como na música*. Desculpem se insisto no passado, mas é que minha vida reside 99% no passado e 1% no presente, no agora. De futuro ainda não tenho nada. Só sonhos e promessas.

E claro que o assunto é a Festa de São Sebastião de Dona Inês em sua 83ª. edição – na parte de festa de Rua. Da parte da festa religiosa, está tudo certo.

Pra começar, parece que a festa é somente para os jovens.

Hoje, o que falta, a meu ver, para a festa ser parecida com as antigas e agradar a adultos e jovens é o “espaço reservado para os casais dançarem’ e o “moído, a muvuca do leilão”. Tem música, tem banda boa, tem mulher bonita, tem espaço para sentar e beber, tem adulto, tem idoso, tem criança, mas não tem o espaço certo para se engatar os namoros com romantismo e vez para os tímidos e moçoilas de família, para os brincantes de outrora se divertirem. Resume-me mais do que tudo a assistir show e beber com os amigos.

E na verdade poucos assistem aos shows de verdade, pois a visibilidade, o barulho no entorno, a falta de conforto, o empurra-empurra e o passa-passa contínuo e frenético não permite atenção e concentração.

Pensando na saúde e na segurança geral, sou de acordo que as festas deveriam iniciar mais cedo, às 8 horas – precisamos re-acostumar o povo a começar cedo – e terminar no máximo às 3 da madrugada – deixando aí 2 horas de noite para os casais aproveitarem onde bem lhes aprouver. Sim, porque depois das 3h, o que se vê é uma multidão de pessoas embriagadas, correndo perigo de uma briga generalizada.

Depois de um dia em claro e uma noite de bebedeira, o sono pede espaço, o corpo já entra em parafuso, os sentidos não são mais os mesmos, perde-se o senso e a imunidade, e isso se repete por 3 dias. Então, não se aproveita bem o fator festa, comemoração, mas na verdade, foge-se da realidade, maquila-se um momento importante com tons fictícios. E o que resta da grande festa? um porre, uma ressaca. Uma sensação de overdose que merece ser repetida no próximo ano. O jovem aguenta, eu aguentei, mas é o álcool dominando. Retire-se o álcool e o que fica? E de valor mesmo? ahn? o quê?

A festa é ótima, é muito bom reencontrar os amigos, mas precisamos de dançar, de conversar mais, de cuidar da saúde.

(*) Moldura – de Byafra – trechos da música.

Geraldo Guilherme, para a Voz da Serra

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NUNCA HOUVE PARAÍSO

raios-e-trovoesNÃO ADIANTA RECLAMAR…

Estava como sempre entre escritos e leituras e deparei-me com a nossa situação caótica, diária, nossa realidade. Qual a solução? nem sei se tem, se há. Poxa, lembrei do Ano Zero, de Eva e da serpente; recordei o Ano 33 dessa Era e veio-me o “queremos Barrabás!”; as Cruzadas para a Terra Santa; a Inquisição na Idade Média; …
Até chegar nesse poema do Padre António Vieira, que nos dá um panorama dos 1600, que é justamente o que ainda reflete sob o Sol:


“A Cegueira da Governação”
“Príncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ruína dos vossos Reinos, vedes as aflições e misérias dos vossos vassalos, vedes as violências, vedes as opressões, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assolação de tudo? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Príncipes, Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destroços da Fé, vedes o descaimento da Religião, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados públicos, vedes os escândalos, vedes as simonias, vedes os sacrilégios, vedes a falta da doutrina sã, vedes a condenação e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou não o vedes. Se o vedes, como não o remediais, e se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obrigações que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustças, vedes os roubos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes as potências dos grandes e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores e gemidos de todos? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos.”.

Padre António Vieira, in “Sermões”

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CAPITALISMO ESCROTO

O Sistema que deu arvore-de-dinheiromais resultado, lucro, status, brilho, fofoca, capas de revistas, negócios, e mais e mais e muito mais dinheiro foi, é e continuará sendo o Capitalista. Vejam os númer
os abaixo.
Para essa gente inumana ou desumana, que alguns tratam de imorais, outros de corja, outros de gênios, não importa os genocídios, a fome na África, as guerras, os vírus, as babaquices humanas. O seu Deus é o U$, o Euro, o Yen, a Libra.
O resto é conversa fiada.
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1% dos mais ricos do mundo detém a mesma riqueza que todo o resto do planeta

1.810 bilionários existem no mundo; 89% deles são homens

8 homens possuem a mesma riqueza de 3,6 bilhões de pessoas

182 vezes maior foi o aumento na renda do 1% mais rico em relação aos 10% mais pobres entre 1988 e 2011

US$ 100 bilhões é a perda anual que países desenvolvidos têm por sonegação fiscal

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KIKA FOREVER

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KIKA FOREVER

Nasceu início de Janeiro de 2002

Morreu em 04 de janeiro de 2013

Raça: Rottweiler

Criadores: Gera e Linda

Local: Bessa – João Pessoa

 

KIKA

19/02/2013

Após caminhar na praça e ao voltar para casa, visitar os túmulos das minhas filhotas, fiquei ouvindo músicas e navegando na net. Agora, já 23:15h, invento de dar o partida nesse relato que tem por objetivo guardar a memória de Kika, a minha filhota, que passou 12 anos conosco, numa relação muito bonita, amorosa, quase indescritível, de prazeres e paixões incomensuráveis.

kika-primeiro-mes-01-2002

Kika, 1,5 mês

 

Eu e Linda morávamos em São Paulo e viemos morar em João Pessoa, nesta casa que havíamos comprado alguns anos atrás. Aqui chegamos à véspera de Natal  e já era janeiro do ano seguinte quando nossos móveis chegaram via transportadora. Após montar a casa, decidimos que precisaríamos de um cachorro para fazer a proteção, haja vista termos um grande terreno em volta e para impor respeito na hora de chegar e sair.

Linda deu a sugestão de procurarmos uma cadela, que suja menos do que o cadelo ao fazer xixi e porque não fica botando o pênis pra fora quando se excita. Além disso, ouvimos que as fêmeas são mais dedicadas, delicadas e concentradas.

Vimos alguns anúncios no jornal e ligamos para um criador-vendedor de cães hotweiller lá do bairro Castelo Branco e depois de muita conversa e tiração de dúvidas, marcamos uma ida lá para ver os cães. Convidamos a minha irmã Rosangela para ir conosco, pois ela tinha uma cadela poodle (Belinha) e alguma experiência. Queríamos uma cadela com procedência, embora não exigíssemos o pedigree, devido ao preço e a não necessidade.

Na hora e data marcada fomos até o dono dos animais e chegando lá fomos apresentados a duas filhotes com cerca de 45 dias de vida. Depois de alguma conversa e observação, escolhemos a que viria conosco. Efetuamos o pagamento de 200 reais e tiramos pra casa, felizes da vida e conversando sobre aquela coisa mais linda, que parecia assustada por ser retirada abruptamente do seu habitat e principalmente de perto da sua família canina.

Mas era altaneira, não chorou. Deve ter curtido todo o carinho com que era tratada. Colocamos-lhe o nome de Kika, por ser curto, por ser fácil dela aprender, por ser carinhoso.  Kika era como dizem as mães e tias de filhotes “a coisa mais linda”, peluda, estava fortinha, uma gracinha, afinal, todo filhote é muito bonito e ela não fugia à regra.

Chegando em casa, Linda arrumou um lugar pra ela lá na área de serviço, pois eu havia lido que pra não estragar o animal de guarda, não pode dar moleza e nem carinho demais. Jornal no chão, ração, água e uma caixa pra servir de casinha.

Quando ficou sozinha lá, não gostou e passou a resmungar e soltar gritinhos de mimo. E lá íamos nós ver o que se passava. Só queria ficar dentro de casa e Linda foi deixando.

Kika deitava no chão frio e estirava o corpo, e de pata a pata cobria duas pedras de cerâmica da pequena. Tinha as patas enormes e era sinal que seria uma cadela forte.

Linda fez uma vistoria à luz do dia e percebeu que ela tinha carrapatos, muitos carrapatos e pulgas também. Nossa, foi uma surpresa desagradável. Ela apresentou alguns problemas de saúde e levamos ao veterinário Robson. Ele foi taxativo: Melhor devolver essa cadela.

Não devolvemos, pois daria muito trabalho e problemas. E como era novinha, teria como recuperar. E foi o que aconteceu. Passamos o carrapaticida e anti-pulgas e logo ela estava livre de problemas. Fizemos as vacinações, tendo a carteira de saúde dela sempre em dia.

Compramos a primeira coleira, os depósitos para ração e água, um brinquedo para ela, um ossinho. Os cuidados eram os mesmo dispensados a um bebê.

Movida a ração e leite, Kika foi desenvolvendo e ficando cada vez mais forte, mais bonita. O quintal grande, espaço para ela correr, areia para escavar, árvores para se esconder. Ela adorava tudo isso.

Acostumou-se com banhos semanais para manter o pelo limpo e brilhoso e bastava pegar na mangueira e ela se aproximava para colocar a coleira. Já nesse período acostumei-lhe com sons que eu fazia com a boca para ir marcando cada fase. Quando ela se balançava toda para expulsar a água do pelo, eu fazia um som; para colocar a coleira outro som; para retirar a coleira, outro som ou palavra.

Linda era a sua treinadora com os comandos simples como sentar, dar a pata, sair para fazer xixi, esperar a hora de comer e não ficar pedindo ao lado da mesa. Tudo isso ela aprendeu. Tentei lhe ensinar a não comer porcaria na rua – mas não consegui. Então colocava pedaços de carne em locais específicos dentro do quintal para ela encontrar, mas não tinha coragem de colocar pimenta para lhe queimar a boca ou bater – como fazem os adestradores para causar medo.

kika1ano

Kika 1 ano

O primeiro ano passou rápido. Kika agora ocupava 5 cerâmicas da pequena, quase um metro. Era forte e ainda crescia. Era apreciada em beleza por todos que lhe botavam os olhos, a ponto de pegar mal-olhado nas ruas, durante os passeios.

O Bessa era todo areia e os nossos passeios diários eram na poeira ou nas poças de água ou mesmo driblando as lamas e águas. Ela não gostava do barulho das motos e quando uma se aproximava tentava atacar e me obrigava a segurar firme. Foram muitas as vezes em que deu sustos nos motoqueiros e em mim também, pois em alguns casos me pegava de surpresa e houve alguns em que segurei a custo de quase esfolar as mãos.

Kika também não podia ver um gato – e como tem nessas ruas – e queria pegá-lo. Era uma luta boa segurá-la, pois tinha muita força e algumas vezes com os chinelos molhados em piso escorregadio quase que soltei a corda – sim, usava um pedaço de corda após a coleira para dar mais espaço para ela se movimentar  e algumas vezes fui obrigado a sentar no chão e fincar os pés (quando era Ela e a Zuka) ou ser arrastado. Soltar significava colocar em risco alguma pessoa que surgisse por ali.

Por causa da volúpia e do movimento, decidi caminhar somente à noite, quando as ruas ficam quase desertas e bem escuras. No inverno a visibilidade era mínima. Assim, a partir das 21h, qualquer hora era boa, mas Kika ficava me marcando dentro de casa, ou acompanhando aonde ia, ou apenas com os olhos, e de vez em quando fazendo um som gutural para me chamar a atenção. Quando eu me levantava, ela fazia o mesmo e corria para a porta. Se eu pegava no chaveiro e balançava era a senha e algumas vezes ela ficava como que dançando, rebolando e grunhindo de alegria. Passava o portão da casa e corria para o portão do muro. Eu me aproximava com a coleira e colocava na posição e altura e Ela vinha e enfiava a cabeça, ansiosa para sair logo. Linda dizia: Meu Deus como ela fica contente! É o tanoshimii dela!

kika2003marcaKika não gostava de coleiras fixas, mas aceitava quando a gente colocava. Mas foi pouco tempo.  Aos 2 anos já estava formada e tinha essa cara de brava, mas conosco era super dócil.

Devido a proliferação de carrapatos nos terrenos do Bessa, remanescentes das criações de bovinos que teve aqui, fomos obrigados a criar Kika dentro de casa, mesmo sabendo que a cerâmica escorregadia causa problemas vertebrais . Fazer o que? A doença transmitida pelo carrapato mata sem piedade se não for cuidada a tempo. E mesmo com todos os cuidados, morando dentro de casa, Kika pegou duas vezes.

04 de janeiro de 2017.

Kika se tornou muito ‘na dela’ e dominadora ao mesmo tempo. Depois que ganhava um presente, fosse brinquedo ou osso, ninguém chegava perto para pegar. Ela mostrava os dentes e grunhia. Então era melhor não avançar. Certa vez coloquei um osso para ela e ao tentar pegar para mudar de lugar, ela deu uma abocanhada e quase pegou minha mão. A partir dali entendi o porquê dos cães atacarem os próprios donos. Atacam quando são insultados, ainda que essa não seja a intenção. Mas se eles entenderem assim, atacam.

Com o tempo estabelecemos quem mandava (Eu) e quem devia obedecer (Ela). Isso foi feito dentro de um profundo respeito e fomos nos dando muito bem. Com mais tempo ela foi ganhando regalias, devido ao meu maior respeito pelos mais velhos.

Quando estava com 2,5 anos, decidimos colocá-la para cruzar, pois o veterinário disse que era bom pra ela, evitando assim câncer de útero. Fizemos assim. Primeiro garantimos que a saúde estava boa, vacinas em dia. Ela cruzou com um cão chamado Fred, dos futuros amigos Edésio e Didi e Júnior. Da primeira vez não deu certo, pois levamos a noite e fomos buscar de manhã, e pelo que soubemos depois, ela nem deixou o cão chegar perto. No cio seguinte, levamos ela pra lá e deixamos por dois dias, e aí sim, quando fomos buscá-la, estavam em pleno coito, de manhã. Então quando terminaram os trabalhos, trouxemos nossa menina para casa. Estava toda suja, imunda, fedida de suor, de terra . Tomou um banho de quase uma hora, com sabão e shampoo.

Ela ficou enorme quando a barriga cresceu. Acompanhamos a rápida gestação com cuidados redobrados porque éramos de primeira viagem e não podíamos vacilar. A gravidez acorreu tudo bem, os filhotes nasceram, 7 miúdos. Lembro que Linda ficou incrível porque os cãezinhos eram pequeninos, pareciam gatinhos, isso levando em conta o porte da mãe Kika.

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Mas tivemos problemas porque ao cortar o rabo dos filhotes – era permitido – o veterinário Robson, quando perguntado sugeriu que cortasse ‘zero’, e assim fez, e nos dias seguintes, por mais cuidados que tomássemos, Kika  lambia muito e 3 deles, os mais fortes, pegaram infecção e morreram. Foi uma tristeza enorme e depois culpamos o veterinário  que orientou errado, disseram-nos que deveria ser corte nível 1 ou 2. Restaram 4 filhotes para Kika amamentar: Zukka, Dara, Barney (que foi para o dono do cão macho que cruzou com Kika) e Apolo. Todos ficaram aqui na área do Bessa.

Kika percebeu que Zukka era miúda e passou a dificultar a amamentação, às vezes prendendo-lhe entre as pernas. Os melhores peitos ficavam para os grandões, mas Linda estava atenta e colocava a pequena pra mamar. E por ser pequena, ela foi ficando, ficando, vendemos os outros e ela restou. Até que completou quase três meses e resolvemos que ficaria conosco, pois  Linda já estava apegada com aquela criaturinha que viria a ser sua verdadeira filha.

Kika era muito mandona, Zukka teve que se contentar em ser a segunda, a outra. Kika não gostava de brincar com a filhota, tomava-lhe osso ou brinquedo e as vezes se irritava com a proximidade e lhe atacava – mas nada que um grito de ‘pare’ não resolvesse.

O principal prazer de Kika era passear, caminhar na rua, fazer nossa ronda noturna, para desestressar, para conhecer lugares novos, para marcar território – e ela fazia isso com maestria. Cheirava matos e postes e cantos de muros com muito cuidado, ia pra lá, vinha pra cá, girava de novo, levantava a perna e fazia quase igual bicho macho. Eu dava risada e perguntava se ela queria ser menino.

Os passeios eram todos os dias, ela cobrava, esperava contando as horas, ficava impaciente quando eu demorava (algumas vezes às 11 da noite). Quando eu tinha eventos para fotografar, chegava em casa depois da meia-noite, e se Linda não tivesse saído com Ela, por

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algum motivo, eu tinha que fazer isso já de madrugada. Mas era meio obrigação e meio prazer, pois dava gosto de ver o seu contentamento. Muitas vezes ao colocar a coleira, ela emitia um som, como se quisesse falar e (só de lembrar disso meus olhos ficam úmidos e meu coração apertado) para agradecer.

Cada dia fazíamos um percurso diferente, alguns longos por mais de um quarteirão, outros curtos – no menor quarteirão, outros mais distantes, alguns dias íamos a praia a noite, e além do banho havia a caça aos siris na área, que ela era perita e adorava de paixão. Dia íamos pela direita, dia pela esquerda. E havia o passeio de carro, de vez em quando. Quando pegava a manta para forrar o banco do carro, ela ficava ouriçada e corria pra porta.  Ainda jovem, dava um salto lá no meio do banco. Mais tarde, já com problemas de coluna, tinha dificuldade para subir, para descer, mas eu ajudava e dava tudo certo. Não deixávamos de passear por isso.

Devido ao seu porte, Kika apresentou problema vertebral. São inerentes de cães de grande porte, e ela era pouco obesa. Culpa minha que dava de tudo pra comer. Isso a fez sofrer boa parte da vida, tomar antibióticos continuados , senão não conseguiria caminhar.  E toda medicação por anos seguidos, claro que vai acabar com o estomago de qualquer um. Era tão grave o problema vertebral, que certa época ela sofria muito pra levantar. Na verdade, ela quase não ficava de pé, apenas para fazer os percursos e logo deitava. Perdera a resistência.

Mas na hora de caminhar, ela se transformava e queria ir de todo jeito. Um certo período, para caminhar, precisava da minha ajuda. Com uma toalha passando pela sua barriga posterior, eu a ajudava a se manter de pé e caminhava atrás dela, devagar, fazendo os movimentos que ela quisesse, para não machucá-la. Não íamos longe nessa época, pois ela entendia a limitação e quando eu chamava para entrar, ela acatava. Então eu abria-lhe o bocão e enfiava um comprimido para ela sentir algum alívio e dormir.

Durante 12 anos a nossa rotina foi mais ou menos assim: casa, passeio, banho aos sábados – inclusive de veneno nas patas e barriga e parte posterior da cabeça – , medicação e comida, catar carrapato – nossa como aparecia, os malditos entravam em casa caminhando vindo da areia lá fora.

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Umas das coisas mais agradáveis era vê-la feliz quando eu chegava com um osso de perna de boi, um dela e um da sua filhota Zukka, que ela ficava doida pra tomar e acabava por tomar quando a outra saia para fazer suas necessidades. Aí Linda tinha que intervir de alguma forma para lhe pegar um osso, sem se expor a ataque. E Zukka acabava por sair e enterrar o seu osso, tentando proteger da mãe. Era uma onda aquelas duas.

Kika foi a Dona Inês uma duas vezes. Temos algumas fotos dela no sítio que era da família. Foi quando as soltei para um banho de açude e depois que ficassem livres vigiando enquanto tirávamos uma soneca após o almoço, com as portas abertas. Mas quando acordei do cochilo, elas haviam matado o galo mais famoso do lugar.

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Kika era caçadora nata, nos passeios era atenta nas lagartixas nos muros e muitas e muitas vezes ajudei a encurralar para ela pegar. Depois que pegava queria vir pra casa, rebolando, com o troféu na boca. Chegando em casa, ia adorar a caça, colocando embaixo do queixo e aí de quem se aproximasse. Era o seu momento de glória e quando ao que parecia, parava de sentir dores e limitações de movimentos.

Kika era um exemplar de cadela difícil de se ver por aí. Todos elogiavam demais. A sua beleza rendeu muitas fotos bonitas. Era tão apegada a mim que se eu a deixasse num canto e saísse, ela ficava me observando sem parar, tensa, acompanhando-me com o olhar. Quando eu retornava ela relaxava. De 2009 a 2012, o seu maior prazer era ir para a Praça do Caju ver o movimento a tarde ou a noite. Ficava olhando tudo e todos com olhar senhorial.

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O ano de 2012 foi o mais difícil para Kika, pois já com 12 anos, as doenças causadas por antibióticos e a da coluna foi se agravando.  Levamos para o veterinário e ele citou uma cirurgia de alto-risco para a idade, e cara, e sofrimento pra ela. Decidimos por mante-la no medicamento. Não havia o que fazer. Falei com uns três veterinários e aconselharam a manter como estava. Enquanto isso, a situação de estômago, intestino e útero estavam críticas.

Kika começou a perder peso, a vomitar, a passar mal, cada vez mais tempo deitada, a gente preocupado, dando a medicação, sabendo que não tinha retorno. Até que passou a defecar de forma absolutamente podre. A cada vez, precisávamos lavar a casa e dar um banho nela. Era horrível, principalmente de madrugada. Mas a gente percebia que ela lutava, olhava pra nós como se pedisse socorro, como se dissesse não me deixem morrer – reviver esse momento é chorar na certa, é sofrer de novo, é se sentir incapaz.

Tô dizendo, mesmo assim ela queria passear. Mas não tinha condições. Eu colocava a coleira, abria o portão, dávamos alguns passos na calçada e retornávamos. Ela se sentia bem, voltava sem relutar. Entendia o seu estado. Sentávamos e ficávamos conversando, eu, Linda e ela, falando das dificuldades, pedindo desculpas pelas coisas que ela não havia gostado, falando das suas peripécias. Ela ouvia quieta, apenas mexia os olhos e mal mexia a orelha de vez em quando, demonstrando atenção.

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Alguns dias de sofrimento até que precisei tomar uma decisão. Chamei o veterinário mais próximo, com quem já tinha falado antes. Não restava nada a fazer. Sofrimento de ambas as partes, questão de dias para acontecer. Ele aplicou uma injeção e ela dormiu. A seguir, pouco depois, aplicou mais uma para ela não acordar nunca mais.

Eu segurei até o veterinário ir embora. Perguntou se queria que levasse para sepultar fora,  eu disse não. Eu mesmo sepulto aqui no quintal. Ele saiu e eu chorei copiosamente vendo aquele corpo inerte no chão. Olhei fixamente para nunca mais esquecer da cena. Meu peito estava em brasas, meus olhos seringava água quente que escorria até a boca ou passava direito.

A minha, a nossa Kika estava morta e eu com um sentimento de culpa terrível. Mas o que eu poderia ter feito de alternativa? Vê-la sofrer mais? Prostrada? Mesmo assim eu estava mal, fiquei mal, ainda me sinto mal quando penso, quando lembro. E ainda tinha que sepultá-la. O dia não foi fácil.

Enquanto ela dormia o seu sono eterno, escavei uma cova no canto do muro, perto de onde a sua filha Zukka estava enterrada 1 ano antes. Quase um metro de buraco depois, enrolamos a nossa nega numa manta – a mesma que usávamos para forrar o banco do carro –  e a levamos para a sua morada final. Realizamos o ritual do sepultamento.

O meu desespero foi enorme porque eu sabia que estava perdendo a pessoa  (?) que eu mais amei nessa vida, Kika… e porque eu havia antecipado a sua morte, a morte do ser que mais me amou nessa Terra, amor verdadeiro, incondicional, puro, sincero, gratuito. Ah meu Deus, por  que? Por que tanto sofrimento e tão dura prova?

Foi uma dura prova. Não tenha dúvidas disso. Eu estava arrasado, enterrando a minha filha. Sim, Kika era como uma filha. Até hoje considero assim. Lembro dela quando estou na Igreja rezando e pedindo por meus parentes e amigos já falecidos; vou ao túmulo conversar com ela de vez em quando, acendemos vela nessa datas de aniversário de morte.

Por isso que fiquei arrasado mesmo, aquele foi o pior momento da minha vida de 52 anos vividos. Não tenho dúvidas. A morte de Zukka mexeu muito também, como contei quando aconteceu, mas Kika…

Eu tive a coragem de imprimir um banner das duas negas e colocar no corredor de casa e sempre que passo as vejo e jogo-lhes um alô , uma sorriso, um beijo, um afago… mas eu ainda não tivera a coragem de escrever esse relato para Kika, comecei e parei por mais de 3 anos, pois não me sentia preparado, mas hoje, aniversário 4 de sua morte, foi o momento. E vos digo que não foi menos dolorido, doloroso, as lágrimas abundaram e os meus sentimentos continuam confusos.

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“Sinto que passeias conosco, sinto que estais sempre a nos olhar, sinto que a tua presença é constante… continue conosco, aqui é a sua casa.

Adeus, querida! tu não morrestes, pois não se morre enquanto se vive no coração e mente de alguém… e termino por aqui o meu relato, mas vou pedir para a sua mama se manifestar na sequência, pois ela certamente tem muitas boas lembranças que poderão somar aqui.

Deus Pai Todo Poderoso, dai-lhe o repouso eterno.”

Só uma certeza: Nada vai me separar do amor de Kika.

Texto: Geraldo Guilherme – 04 janeiro 2017.

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