SÃO SEBASTIÃO DE OUTRORA

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Festa na Manoel Pedro

Estava me lembrando aqui, revivendo o passado – “ser de novo adolescente, fazer planos pra nós dois, rabiscando guardanapos, me sentir apaixonado, pra dizer que eu te amo”, como na música*. Desculpem se insisto no passado, mas é que minha vida reside 99% no passado e 1% no presente, no agora. De futuro ainda não tenho nada. Só sonhos e promessas.

E claro que o assunto é a Festa de São Sebastião de Dona Inês em sua 83ª. edição – na parte de festa de Rua. Da parte da festa religiosa, está tudo certo.

Pra começar, parece que a festa é somente para os jovens.

Hoje, o que falta, a meu ver, para a festa ser parecida com as antigas e agradar a adultos e jovens é o “espaço reservado para os casais dançarem’ e o “moído, a muvuca do leilão”. Tem música, tem banda boa, tem mulher bonita, tem espaço para sentar e beber, tem adulto, tem idoso, tem criança, mas não tem o espaço certo para se engatar os namoros com romantismo e vez para os tímidos e moçoilas de família, para os brincantes de outrora se divertirem. Resume-me mais do que tudo a assistir show e beber com os amigos.

E na verdade poucos assistem aos shows de verdade, pois a visibilidade, o barulho no entorno, a falta de conforto, o empurra-empurra e o passa-passa contínuo e frenético não permite atenção e concentração.

Pensando na saúde e na segurança geral, sou de acordo que as festas deveriam iniciar mais cedo, às 8 horas – precisamos re-acostumar o povo a começar cedo – e terminar no máximo às 3 da madrugada – deixando aí 2 horas de noite para os casais aproveitarem onde bem lhes aprouver. Sim, porque depois das 3h, o que se vê é uma multidão de pessoas embriagadas, correndo perigo de uma briga generalizada.

Depois de um dia em claro e uma noite de bebedeira, o sono pede espaço, o corpo já entra em parafuso, os sentidos não são mais os mesmos, perde-se o senso e a imunidade, e isso se repete por 3 dias. Então, não se aproveita bem o fator festa, comemoração, mas na verdade, foge-se da realidade, maquila-se um momento importante com tons fictícios. E o que resta da grande festa? um porre, uma ressaca. Uma sensação de overdose que merece ser repetida no próximo ano. O jovem aguenta, eu aguentei, mas é o álcool dominando. Retire-se o álcool e o que fica? E de valor mesmo? ahn? o quê?

A festa é ótima, é muito bom reencontrar os amigos, mas precisamos de dançar, de conversar mais, de cuidar da saúde.

(*) Moldura – de Byafra – trechos da música.

Geraldo Guilherme, para a Voz da Serra

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NUNCA HOUVE PARAÍSO

raios-e-trovoesNÃO ADIANTA RECLAMAR…

Estava como sempre entre escritos e leituras e deparei-me com a nossa situação caótica, diária, nossa realidade. Qual a solução? nem sei se tem, se há. Poxa, lembrei do Ano Zero, de Eva e da serpente; recordei o Ano 33 dessa Era e veio-me o “queremos Barrabás!”; as Cruzadas para a Terra Santa; a Inquisição na Idade Média; …
Até chegar nesse poema do Padre António Vieira, que nos dá um panorama dos 1600, que é justamente o que ainda reflete sob o Sol:


“A Cegueira da Governação”
“Príncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ruína dos vossos Reinos, vedes as aflições e misérias dos vossos vassalos, vedes as violências, vedes as opressões, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assolação de tudo? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Príncipes, Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destroços da Fé, vedes o descaimento da Religião, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados públicos, vedes os escândalos, vedes as simonias, vedes os sacrilégios, vedes a falta da doutrina sã, vedes a condenação e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou não o vedes. Se o vedes, como não o remediais, e se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obrigações que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustças, vedes os roubos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes as potências dos grandes e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores e gemidos de todos? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos.”.

Padre António Vieira, in “Sermões”

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CAPITALISMO ESCROTO

O Sistema que deu arvore-de-dinheiromais resultado, lucro, status, brilho, fofoca, capas de revistas, negócios, e mais e mais e muito mais dinheiro foi, é e continuará sendo o Capitalista. Vejam os númer
os abaixo.
Para essa gente inumana ou desumana, que alguns tratam de imorais, outros de corja, outros de gênios, não importa os genocídios, a fome na África, as guerras, os vírus, as babaquices humanas. O seu Deus é o U$, o Euro, o Yen, a Libra.
O resto é conversa fiada.
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1% dos mais ricos do mundo detém a mesma riqueza que todo o resto do planeta

1.810 bilionários existem no mundo; 89% deles são homens

8 homens possuem a mesma riqueza de 3,6 bilhões de pessoas

182 vezes maior foi o aumento na renda do 1% mais rico em relação aos 10% mais pobres entre 1988 e 2011

US$ 100 bilhões é a perda anual que países desenvolvidos têm por sonegação fiscal

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KIKA FOREVER

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KIKA FOREVER

Nasceu início de Janeiro de 2002

Morreu em 04 de janeiro de 2013

Raça: Rottweiler

Criadores: Gera e Linda

Local: Bessa – João Pessoa

 

KIKA

19/02/2013

Após caminhar na praça e ao voltar para casa, visitar os túmulos das minhas filhotas, fiquei ouvindo músicas e navegando na net. Agora, já 23:15h, invento de dar o partida nesse relato que tem por objetivo guardar a memória de Kika, a minha filhota, que passou 12 anos conosco, numa relação muito bonita, amorosa, quase indescritível, de prazeres e paixões incomensuráveis.

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Kika, 1,5 mês

 

Eu e Linda morávamos em São Paulo e viemos morar em João Pessoa, nesta casa que havíamos comprado alguns anos atrás. Aqui chegamos à véspera de Natal  e já era janeiro do ano seguinte quando nossos móveis chegaram via transportadora. Após montar a casa, decidimos que precisaríamos de um cachorro para fazer a proteção, haja vista termos um grande terreno em volta e para impor respeito na hora de chegar e sair.

Linda deu a sugestão de procurarmos uma cadela, que suja menos do que o cadelo ao fazer xixi e porque não fica botando o pênis pra fora quando se excita. Além disso, ouvimos que as fêmeas são mais dedicadas, delicadas e concentradas.

Vimos alguns anúncios no jornal e ligamos para um criador-vendedor de cães hotweiller lá do bairro Castelo Branco e depois de muita conversa e tiração de dúvidas, marcamos uma ida lá para ver os cães. Convidamos a minha irmã Rosangela para ir conosco, pois ela tinha uma cadela poodle (Belinha) e alguma experiência. Queríamos uma cadela com procedência, embora não exigíssemos o pedigree, devido ao preço e a não necessidade.

Na hora e data marcada fomos até o dono dos animais e chegando lá fomos apresentados a duas filhotes com cerca de 45 dias de vida. Depois de alguma conversa e observação, escolhemos a que viria conosco. Efetuamos o pagamento de 200 reais e tiramos pra casa, felizes da vida e conversando sobre aquela coisa mais linda, que parecia assustada por ser retirada abruptamente do seu habitat e principalmente de perto da sua família canina.

Mas era altaneira, não chorou. Deve ter curtido todo o carinho com que era tratada. Colocamos-lhe o nome de Kika, por ser curto, por ser fácil dela aprender, por ser carinhoso.  Kika era como dizem as mães e tias de filhotes “a coisa mais linda”, peluda, estava fortinha, uma gracinha, afinal, todo filhote é muito bonito e ela não fugia à regra.

Chegando em casa, Linda arrumou um lugar pra ela lá na área de serviço, pois eu havia lido que pra não estragar o animal de guarda, não pode dar moleza e nem carinho demais. Jornal no chão, ração, água e uma caixa pra servir de casinha.

Quando ficou sozinha lá, não gostou e passou a resmungar e soltar gritinhos de mimo. E lá íamos nós ver o que se passava. Só queria ficar dentro de casa e Linda foi deixando.

Kika deitava no chão frio e estirava o corpo, e de pata a pata cobria duas pedras de cerâmica da pequena. Tinha as patas enormes e era sinal que seria uma cadela forte.

Linda fez uma vistoria à luz do dia e percebeu que ela tinha carrapatos, muitos carrapatos e pulgas também. Nossa, foi uma surpresa desagradável. Ela apresentou alguns problemas de saúde e levamos ao veterinário Robson. Ele foi taxativo: Melhor devolver essa cadela.

Não devolvemos, pois daria muito trabalho e problemas. E como era novinha, teria como recuperar. E foi o que aconteceu. Passamos o carrapaticida e anti-pulgas e logo ela estava livre de problemas. Fizemos as vacinações, tendo a carteira de saúde dela sempre em dia.

Compramos a primeira coleira, os depósitos para ração e água, um brinquedo para ela, um ossinho. Os cuidados eram os mesmo dispensados a um bebê.

Movida a ração e leite, Kika foi desenvolvendo e ficando cada vez mais forte, mais bonita. O quintal grande, espaço para ela correr, areia para escavar, árvores para se esconder. Ela adorava tudo isso.

Acostumou-se com banhos semanais para manter o pelo limpo e brilhoso e bastava pegar na mangueira e ela se aproximava para colocar a coleira. Já nesse período acostumei-lhe com sons que eu fazia com a boca para ir marcando cada fase. Quando ela se balançava toda para expulsar a água do pelo, eu fazia um som; para colocar a coleira outro som; para retirar a coleira, outro som ou palavra.

Linda era a sua treinadora com os comandos simples como sentar, dar a pata, sair para fazer xixi, esperar a hora de comer e não ficar pedindo ao lado da mesa. Tudo isso ela aprendeu. Tentei lhe ensinar a não comer porcaria na rua – mas não consegui. Então colocava pedaços de carne em locais específicos dentro do quintal para ela encontrar, mas não tinha coragem de colocar pimenta para lhe queimar a boca ou bater – como fazem os adestradores para causar medo.

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O primeiro ano passou rápido. Kika agora ocupava 5 cerâmicas da pequena, quase um metro. Era forte e ainda crescia. Era apreciada em beleza por todos que lhe botavam os olhos, a ponto de pegar mal-olhado nas ruas, durante os passeios.

O Bessa era todo areia e os nossos passeios diários eram na poeira ou nas poças de água ou mesmo driblando as lamas e águas. Ela não gostava do barulho das motos e quando uma se aproximava tentava atacar e me obrigava a segurar firme. Foram muitas as vezes em que deu sustos nos motoqueiros e em mim também, pois em alguns casos me pegava de surpresa e houve alguns em que segurei a custo de quase esfolar as mãos.

Kika também não podia ver um gato – e como tem nessas ruas – e queria pegá-lo. Era uma luta boa segurá-la, pois tinha muita força e algumas vezes com os chinelos molhados em piso escorregadio quase que soltei a corda – sim, usava um pedaço de corda após a coleira para dar mais espaço para ela se movimentar  e algumas vezes fui obrigado a sentar no chão e fincar os pés (quando era Ela e a Zuka) ou ser arrastado. Soltar significava colocar em risco alguma pessoa que surgisse por ali.

Por causa da volúpia e do movimento, decidi caminhar somente à noite, quando as ruas ficam quase desertas e bem escuras. No inverno a visibilidade era mínima. Assim, a partir das 21h, qualquer hora era boa, mas Kika ficava me marcando dentro de casa, ou acompanhando aonde ia, ou apenas com os olhos, e de vez em quando fazendo um som gutural para me chamar a atenção. Quando eu me levantava, ela fazia o mesmo e corria para a porta. Se eu pegava no chaveiro e balançava era a senha e algumas vezes ela ficava como que dançando, rebolando e grunhindo de alegria. Passava o portão da casa e corria para o portão do muro. Eu me aproximava com a coleira e colocava na posição e altura e Ela vinha e enfiava a cabeça, ansiosa para sair logo. Linda dizia: Meu Deus como ela fica contente! É o tanoshimii dela!

kika2003marcaKika não gostava de coleiras fixas, mas aceitava quando a gente colocava. Mas foi pouco tempo.  Aos 2 anos já estava formada e tinha essa cara de brava, mas conosco era super dócil.

Devido a proliferação de carrapatos nos terrenos do Bessa, remanescentes das criações de bovinos que teve aqui, fomos obrigados a criar Kika dentro de casa, mesmo sabendo que a cerâmica escorregadia causa problemas vertebrais . Fazer o que? A doença transmitida pelo carrapato mata sem piedade se não for cuidada a tempo. E mesmo com todos os cuidados, morando dentro de casa, Kika pegou duas vezes.

04 de janeiro de 2017.

Kika se tornou muito ‘na dela’ e dominadora ao mesmo tempo. Depois que ganhava um presente, fosse brinquedo ou osso, ninguém chegava perto para pegar. Ela mostrava os dentes e grunhia. Então era melhor não avançar. Certa vez coloquei um osso para ela e ao tentar pegar para mudar de lugar, ela deu uma abocanhada e quase pegou minha mão. A partir dali entendi o porquê dos cães atacarem os próprios donos. Atacam quando são insultados, ainda que essa não seja a intenção. Mas se eles entenderem assim, atacam.

Com o tempo estabelecemos quem mandava (Eu) e quem devia obedecer (Ela). Isso foi feito dentro de um profundo respeito e fomos nos dando muito bem. Com mais tempo ela foi ganhando regalias, devido ao meu maior respeito pelos mais velhos.

Quando estava com 2,5 anos, decidimos colocá-la para cruzar, pois o veterinário disse que era bom pra ela, evitando assim câncer de útero. Fizemos assim. Primeiro garantimos que a saúde estava boa, vacinas em dia. Ela cruzou com um cão chamado Fred, dos futuros amigos Edésio e Didi e Júnior. Da primeira vez não deu certo, pois levamos a noite e fomos buscar de manhã, e pelo que soubemos depois, ela nem deixou o cão chegar perto. No cio seguinte, levamos ela pra lá e deixamos por dois dias, e aí sim, quando fomos buscá-la, estavam em pleno coito, de manhã. Então quando terminaram os trabalhos, trouxemos nossa menina para casa. Estava toda suja, imunda, fedida de suor, de terra . Tomou um banho de quase uma hora, com sabão e shampoo.

Ela ficou enorme quando a barriga cresceu. Acompanhamos a rápida gestação com cuidados redobrados porque éramos de primeira viagem e não podíamos vacilar. A gravidez acorreu tudo bem, os filhotes nasceram, 7 miúdos. Lembro que Linda ficou incrível porque os cãezinhos eram pequeninos, pareciam gatinhos, isso levando em conta o porte da mãe Kika.

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Mas tivemos problemas porque ao cortar o rabo dos filhotes – era permitido – o veterinário Robson, quando perguntado sugeriu que cortasse ‘zero’, e assim fez, e nos dias seguintes, por mais cuidados que tomássemos, Kika  lambia muito e 3 deles, os mais fortes, pegaram infecção e morreram. Foi uma tristeza enorme e depois culpamos o veterinário  que orientou errado, disseram-nos que deveria ser corte nível 1 ou 2. Restaram 4 filhotes para Kika amamentar: Zukka, Dara, Barney (que foi para o dono do cão macho que cruzou com Kika) e Apolo. Todos ficaram aqui na área do Bessa.

Kika percebeu que Zukka era miúda e passou a dificultar a amamentação, às vezes prendendo-lhe entre as pernas. Os melhores peitos ficavam para os grandões, mas Linda estava atenta e colocava a pequena pra mamar. E por ser pequena, ela foi ficando, ficando, vendemos os outros e ela restou. Até que completou quase três meses e resolvemos que ficaria conosco, pois  Linda já estava apegada com aquela criaturinha que viria a ser sua verdadeira filha.

Kika era muito mandona, Zukka teve que se contentar em ser a segunda, a outra. Kika não gostava de brincar com a filhota, tomava-lhe osso ou brinquedo e as vezes se irritava com a proximidade e lhe atacava – mas nada que um grito de ‘pare’ não resolvesse.

O principal prazer de Kika era passear, caminhar na rua, fazer nossa ronda noturna, para desestressar, para conhecer lugares novos, para marcar território – e ela fazia isso com maestria. Cheirava matos e postes e cantos de muros com muito cuidado, ia pra lá, vinha pra cá, girava de novo, levantava a perna e fazia quase igual bicho macho. Eu dava risada e perguntava se ela queria ser menino.

Os passeios eram todos os dias, ela cobrava, esperava contando as horas, ficava impaciente quando eu demorava (algumas vezes às 11 da noite). Quando eu tinha eventos para fotografar, chegava em casa depois da meia-noite, e se Linda não tivesse saído com Ela, por

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algum motivo, eu tinha que fazer isso já de madrugada. Mas era meio obrigação e meio prazer, pois dava gosto de ver o seu contentamento. Muitas vezes ao colocar a coleira, ela emitia um som, como se quisesse falar e (só de lembrar disso meus olhos ficam úmidos e meu coração apertado) para agradecer.

Cada dia fazíamos um percurso diferente, alguns longos por mais de um quarteirão, outros curtos – no menor quarteirão, outros mais distantes, alguns dias íamos a praia a noite, e além do banho havia a caça aos siris na área, que ela era perita e adorava de paixão. Dia íamos pela direita, dia pela esquerda. E havia o passeio de carro, de vez em quando. Quando pegava a manta para forrar o banco do carro, ela ficava ouriçada e corria pra porta.  Ainda jovem, dava um salto lá no meio do banco. Mais tarde, já com problemas de coluna, tinha dificuldade para subir, para descer, mas eu ajudava e dava tudo certo. Não deixávamos de passear por isso.

Devido ao seu porte, Kika apresentou problema vertebral. São inerentes de cães de grande porte, e ela era pouco obesa. Culpa minha que dava de tudo pra comer. Isso a fez sofrer boa parte da vida, tomar antibióticos continuados , senão não conseguiria caminhar.  E toda medicação por anos seguidos, claro que vai acabar com o estomago de qualquer um. Era tão grave o problema vertebral, que certa época ela sofria muito pra levantar. Na verdade, ela quase não ficava de pé, apenas para fazer os percursos e logo deitava. Perdera a resistência.

Mas na hora de caminhar, ela se transformava e queria ir de todo jeito. Um certo período, para caminhar, precisava da minha ajuda. Com uma toalha passando pela sua barriga posterior, eu a ajudava a se manter de pé e caminhava atrás dela, devagar, fazendo os movimentos que ela quisesse, para não machucá-la. Não íamos longe nessa época, pois ela entendia a limitação e quando eu chamava para entrar, ela acatava. Então eu abria-lhe o bocão e enfiava um comprimido para ela sentir algum alívio e dormir.

Durante 12 anos a nossa rotina foi mais ou menos assim: casa, passeio, banho aos sábados – inclusive de veneno nas patas e barriga e parte posterior da cabeça – , medicação e comida, catar carrapato – nossa como aparecia, os malditos entravam em casa caminhando vindo da areia lá fora.

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Umas das coisas mais agradáveis era vê-la feliz quando eu chegava com um osso de perna de boi, um dela e um da sua filhota Zukka, que ela ficava doida pra tomar e acabava por tomar quando a outra saia para fazer suas necessidades. Aí Linda tinha que intervir de alguma forma para lhe pegar um osso, sem se expor a ataque. E Zukka acabava por sair e enterrar o seu osso, tentando proteger da mãe. Era uma onda aquelas duas.

Kika foi a Dona Inês uma duas vezes. Temos algumas fotos dela no sítio que era da família. Foi quando as soltei para um banho de açude e depois que ficassem livres vigiando enquanto tirávamos uma soneca após o almoço, com as portas abertas. Mas quando acordei do cochilo, elas haviam matado o galo mais famoso do lugar.

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Kika era caçadora nata, nos passeios era atenta nas lagartixas nos muros e muitas e muitas vezes ajudei a encurralar para ela pegar. Depois que pegava queria vir pra casa, rebolando, com o troféu na boca. Chegando em casa, ia adorar a caça, colocando embaixo do queixo e aí de quem se aproximasse. Era o seu momento de glória e quando ao que parecia, parava de sentir dores e limitações de movimentos.

Kika era um exemplar de cadela difícil de se ver por aí. Todos elogiavam demais. A sua beleza rendeu muitas fotos bonitas. Era tão apegada a mim que se eu a deixasse num canto e saísse, ela ficava me observando sem parar, tensa, acompanhando-me com o olhar. Quando eu retornava ela relaxava. De 2009 a 2012, o seu maior prazer era ir para a Praça do Caju ver o movimento a tarde ou a noite. Ficava olhando tudo e todos com olhar senhorial.

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O ano de 2012 foi o mais difícil para Kika, pois já com 12 anos, as doenças causadas por antibióticos e a da coluna foi se agravando.  Levamos para o veterinário e ele citou uma cirurgia de alto-risco para a idade, e cara, e sofrimento pra ela. Decidimos por mante-la no medicamento. Não havia o que fazer. Falei com uns três veterinários e aconselharam a manter como estava. Enquanto isso, a situação de estômago, intestino e útero estavam críticas.

Kika começou a perder peso, a vomitar, a passar mal, cada vez mais tempo deitada, a gente preocupado, dando a medicação, sabendo que não tinha retorno. Até que passou a defecar de forma absolutamente podre. A cada vez, precisávamos lavar a casa e dar um banho nela. Era horrível, principalmente de madrugada. Mas a gente percebia que ela lutava, olhava pra nós como se pedisse socorro, como se dissesse não me deixem morrer – reviver esse momento é chorar na certa, é sofrer de novo, é se sentir incapaz.

Tô dizendo, mesmo assim ela queria passear. Mas não tinha condições. Eu colocava a coleira, abria o portão, dávamos alguns passos na calçada e retornávamos. Ela se sentia bem, voltava sem relutar. Entendia o seu estado. Sentávamos e ficávamos conversando, eu, Linda e ela, falando das dificuldades, pedindo desculpas pelas coisas que ela não havia gostado, falando das suas peripécias. Ela ouvia quieta, apenas mexia os olhos e mal mexia a orelha de vez em quando, demonstrando atenção.

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Alguns dias de sofrimento até que precisei tomar uma decisão. Chamei o veterinário mais próximo, com quem já tinha falado antes. Não restava nada a fazer. Sofrimento de ambas as partes, questão de dias para acontecer. Ele aplicou uma injeção e ela dormiu. A seguir, pouco depois, aplicou mais uma para ela não acordar nunca mais.

Eu segurei até o veterinário ir embora. Perguntou se queria que levasse para sepultar fora,  eu disse não. Eu mesmo sepulto aqui no quintal. Ele saiu e eu chorei copiosamente vendo aquele corpo inerte no chão. Olhei fixamente para nunca mais esquecer da cena. Meu peito estava em brasas, meus olhos seringava água quente que escorria até a boca ou passava direito.

A minha, a nossa Kika estava morta e eu com um sentimento de culpa terrível. Mas o que eu poderia ter feito de alternativa? Vê-la sofrer mais? Prostrada? Mesmo assim eu estava mal, fiquei mal, ainda me sinto mal quando penso, quando lembro. E ainda tinha que sepultá-la. O dia não foi fácil.

Enquanto ela dormia o seu sono eterno, escavei uma cova no canto do muro, perto de onde a sua filha Zukka estava enterrada 1 ano antes. Quase um metro de buraco depois, enrolamos a nossa nega numa manta – a mesma que usávamos para forrar o banco do carro –  e a levamos para a sua morada final. Realizamos o ritual do sepultamento.

O meu desespero foi enorme porque eu sabia que estava perdendo a pessoa  (?) que eu mais amei nessa vida, Kika… e porque eu havia antecipado a sua morte, a morte do ser que mais me amou nessa Terra, amor verdadeiro, incondicional, puro, sincero, gratuito. Ah meu Deus, por  que? Por que tanto sofrimento e tão dura prova?

Foi uma dura prova. Não tenha dúvidas disso. Eu estava arrasado, enterrando a minha filha. Sim, Kika era como uma filha. Até hoje considero assim. Lembro dela quando estou na Igreja rezando e pedindo por meus parentes e amigos já falecidos; vou ao túmulo conversar com ela de vez em quando, acendemos vela nessa datas de aniversário de morte.

Por isso que fiquei arrasado mesmo, aquele foi o pior momento da minha vida de 52 anos vividos. Não tenho dúvidas. A morte de Zukka mexeu muito também, como contei quando aconteceu, mas Kika…

Eu tive a coragem de imprimir um banner das duas negas e colocar no corredor de casa e sempre que passo as vejo e jogo-lhes um alô , uma sorriso, um beijo, um afago… mas eu ainda não tivera a coragem de escrever esse relato para Kika, comecei e parei por mais de 3 anos, pois não me sentia preparado, mas hoje, aniversário 4 de sua morte, foi o momento. E vos digo que não foi menos dolorido, doloroso, as lágrimas abundaram e os meus sentimentos continuam confusos.

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“Sinto que passeias conosco, sinto que estais sempre a nos olhar, sinto que a tua presença é constante… continue conosco, aqui é a sua casa.

Adeus, querida! tu não morrestes, pois não se morre enquanto se vive no coração e mente de alguém… e termino por aqui o meu relato, mas vou pedir para a sua mama se manifestar na sequência, pois ela certamente tem muitas boas lembranças que poderão somar aqui.

Deus Pai Todo Poderoso, dai-lhe o repouso eterno.”

Só uma certeza: Nada vai me separar do amor de Kika.

Texto: Geraldo Guilherme – 04 janeiro 2017.

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Fim de Uma Era – 2009-2016

Caros amigos,
É chegada a hora de fazer umas continhas, olhar para trás e para a frente, analisar o que passou e projetar o futuro próximo. Para todos nós o momento é igual.
Para quem está envolvido no Poder Público, ocorrem outros fatores, a mais, neste fim de ano.
 
Chegado o último dia útil do ano – trabalhisticamente falando, coincide com o final do mandato do atual prefeito e com a exoneração de todos os comissionados em cargo de confiança – onde exerci o de assessor. E como é bom olhar para trás e perceber que tudo aconteceu de vento em popa, da melhor forma possível.
 
Trabalhar como assessor de comunicação na Prefeitura de Dona Inês durante 6 anos (estive fora em 2011-2012) tornou possível a proximidade com a população, pois precisei estar onde estava acontecendo um evento, um movimento, uma ação; a convivência com os meus pais nas visitas semanais que fiz na Serra; e poder através do trabalho exercer a cidadania e participar de momentos importantes da municipalidade.
 
No trabalho de divulgação municipal, rodei por todos os setores, levando as boas novas para a população no site oficial, no facebook, no rádio e nos grupos particulares, sempre procurando elevar o nome e a grandeza do nosso pequeno município, que vem, em muitos casos, na vanguarda dos acontecimentos estaduais e, por isso, servindo de exemplo para outros.
 
Somente em meu computador pessoal constam 55.004 arquivos, a maioria de imagens de eventos, que contam de forma espetacular a trajetória exitosa dessa administração e de minha participação fazendo o que me competia. Daí surgiram na sua tela, as milhares de matérias quase que diárias, informando-lhe o que de principal aconteceu na gestão ‘semeando um futuro melhor’ do Prefeito Antonio Justino.
 
Foi muito gratificante ver Dona Inês mudar, crescer de forma incrível e exuberante nestes últimos 8 anos, proporcionando uma mudança de vida visível e tocável na vida de muitas pessoas. E tudo o que aconteceu pode ser visto nas mídias sociais da Prefeitura, postado por esse que vos escreve. E nunca houve hora certa para uma postagem entrar no ar, podia ser durante o dia, a noite, na madrugada, no momento que a matéria ficava pronta, mesmo nos fins de semana e feriados.
 
Fecha-se um círculo administrativo e se inicia outro que seguirá pelos mesmo preceitos, haja vista ser uma sucessão dentro do mesmo grupo e como bons guerreiros e servidores da causa, estaremos sempre prontos para compor junto com os companheiros, se o próximo gestor enxergar essa possibilidade e necessidade.
 
Com certeza foi um trabalho muito bom, novas experiências, aprendizado, novos conceitos, ensinamentos, vivências, e que ficará na mente e nos escritos – principalmente no livro que escrevi intitulado “Dona Inês – Seu Povo, Sua História”, que ora vai sendo lançado online.
 
Desejar a João Idalino que faça um bom governo, que possa levar a máquina adiante e enfrente os problemas com sabedoria, e seja coberto de bençãos de Deus nesse novo círculo que se inicia dia 1º. de janeiro, escrevendo um novo capítulo de nossa história.
 
O meu obrigado a todos, a Dona Inês, essa Serra Encantada, que permeia o meu Ser e certamente será a minha última morada. Essa terra tão querida por todos os seus filhos, tão bela, tão necessitada, tão lembrada.
 
Abraços para todos, boas festas, feliz ano novo!
 
Geraldo Guilherme, dez/2016
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João Idalino – Trajetória de Sucesso

Caros amigos, a ascensão de João Idalino ao Poder merece uma reflexão e alguns comentários que trato de fazer agora, para que não se percam no tempo que tudo faz e põe fim, ficando as lembranças nem sempre bem contadas.

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Os mais vividos lembrar-se-ão tranquilamente dos tempos em que Joãozinho era motorista de ambulância, indo e vindo pelas estradas esburacadas de outrora, levando e trazendo doentes, uma vida dura, corrida, com aquele carma de que uma vez  motorista, motorista para sempre, isso apesar de ter uma profissão de protético e a família trabalhar com panificação e ser proprietária de terras.

Mas João entrou para a política na primeira oportunidade surgida com Zé Eugênio, em 1983, quando pegou 6 anos de mandato e presidiu a Câmara duas vezes – e nesse período se construiu o edifício da Câmara. Parece que ele gostou. Depois passou pelos governos de Ramon em 89, de Luiz José em 93, de Antonio Justino em 97, de Luiz em 2005, sempre como Vereador, fechando aí incríveis 5 mandatos na Casa Legislativa, fato que se diga, não é fácil – e a história comprova.

Houve um contratempo na carreira política de João Idalino. Foi quando empatou voto a voto com João Justino e perdeu o acesso à Câmara devido ao critério de desempate ser a idade e favorecer o mais velho. Podemos dizer que perdeu por 1 voto na eleição de 2000.

Mais a frente, João formou chapa com Antonio Justino, rompendo com o prefeito Luiz José, perdendo o finalzinho do mandato e indo para as urnas. Antonio (prefeito) e João (vice) se elegeram em 2008 e assim, o Homem de 5 mandatos se tornou Vice-Prefeito, fato que repetiu em 2012, cumprindo essa função até 2016.

Como desde a Era Antonio Justino se falava de sucessão, pois isso é um assunto palpitante e rege as rodas de conversas e fofocas, ficou estabelecido que o componente do Grupo melhor ranqueado, seria o candidato. E o nome de João Idalino, sempre forte, abocanhou a vaga, o seu nome foi para o povo, houve todo um trabalho e aconteceu. Junto com Demétrio Ferreira, foram eleitos para o mandato de 2017 a 2020.

Ao longo de sua vida política, João Idalino pode também trabalhar na iniciativa privada, favorecido pelos tipos de cargos eletivos que não demandavam presença severa, ou melhor, deixavam-lhe tempo extra para se jogar em outras atividades. Assim, João iniciou de maneira gradual a formação de um capital considerável, construindo diversas edificações em várias partes da cidade e abrindo o primeiro posto de combustíveis do município, o que lhe tornou admirado pelo povo – um homem íntegro, trabalhador.

Nesse tempo, também criou e educou os filhos junto com a esposa Noélia Pereira, mostrando-lhes os valores de uma vida regrada e voltada para o trabalho, para o empreendedorismo, como bem podemos ver todos atuando em setores da iniciativa privada, exceto Denizar, que galgou o cargo de Vereador pela segunda vez consecutiva.

Não há dúvidas, não há o que contestar, podemos concluir que João cultivou o sonho de ser Prefeito, que João fez por onde se tornar Prefeito, que João lutou para ser o Prefeito. E conseguiu, ao seu modo, fazendo uma campanha pé no chão, ciente dos problemas nacionais e estaduais e municipais, sabendo que enfrentará muitos desafios e que mais uma vez terá que usar de toda sua habilidade para administrar o município. João está para começar o seu 8º. mandato como representante do povo. Nenhum outro donainesense conseguiu chegar nem perto desse número. Sem sombra de dúvidas, a sua longa e brilhante trajetória política lhe dão as ferramentas e conhecimentos para obter o desejado e sonhado sucesso no cargo maior a que se dispôs alcançar.

Agora as coisas mudam de figura, pois não administrará apenas seus negócios, mas sim um município com 10.500 habitantes, a quem precisa atender com carinho, zelo, responsabilidade, carisma, tolerância, lembrando que o Prefeito é um representante e empregado dessa gente toda, e claro usando das suas prerrogativas do cargo para fazer isso da melhor maneira possível… e ainda as danadas das burocracias governamentais de tribunais e órgãos federais que azucrinam as melhores cabeças, mas que são necessárias para o bom andamento das tarefas.

Sem  dúvidas que se João Idalino estiver em sintonia com os cinco princípios básicos da administração pública estará com o seu governo baseado sobre os pilares da pedra de lajedo e que será coroado de sucesso na sua nova e tão almejada caminhada. São eles: obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Períodos das eleições de João Idalino:

1º. – 1983 – 1988 – Vereador

2º. – 1989 – 1992 – Vereador

3º. – 1993 – 1996 – Vereador

4º. – 1997 – 2000 – Vereador

5º. – 2005 – 2008 – Vereador

6º. – 2009 – 2012 – Vice-Prefeito

7º. – 2013 – 2016 – Vice-Prefeito

8º. – 2017 – 2020 – Prefeito

Finalizamos parabenizando a João Idalino, por saber planejar, por levar adiante o seu projeto de vida, por ter a paciência e sabedoria necessárias para realizar na hora certa. E desejamos sucesso, que possa realmente fazer o melhor pelo município, governando para todos, visando o bem-estar da população, dos fatores culturais do povo e do respeito para com a mãe natureza.

G. G. Carsan (dez/2016)

(Nossos Boas Festas a Todos)

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O ESPORTE FOI A PORTA DE ENTRADA DO FRACASSO BRASILEIRO

a-copa-2014Caros leitores, com essa manchete, chamamos atenção para os fatos esportivos e suas consequências nefastas para o Brasil, para o seu Povo. Muito se falou, mas poucos acreditaram nos sinais de desgraça, alguns apontaram dúvidas de que o pior não chegaria e a maioria desconversou em nome do Esporte. Mas foi lá em Brasília que os políticos e governantes e empresários, a corja reinante acreditou. Ou melhor, já chegaram à Copa e à Olimpíada (olimpiada) com o placar totalmente favorável, haja vista que o que lhes interessa, e não eram gols e medalhas, mas sim dinheiro, muito dinheiro, já estava totalmente contabilizado, disponível em suas contas, vindos dos desvios e dos conluios com Empreiteiras  envolvidas no processo, englobando Bancos e órgãos oficiais de todas as esferas, num Grande Assalto ao país.

Opa! Não é o Esporte o culpado pelo fracasso. Não é isso. A manchete é apenas para chamar atenção. Lembram? Foram os políticos, os brasileiros do comando e nossos empresários, todos ladrões ávidos por poder e dinheiro, que se apropriaram do Esporte para atingir os seus objetivos nefastos, imorais e ilegais. Usaram de maneira sórdida, suja, inaceitável, o futebol e o esporte em geral para roubar o país.

Amigos, a Copa do Mundo comeu dos cofres públicos a enorme quantia de 40 Bilhões de Reais. Inventaram de construir num país navegando na beira do abismo as grandes e lindas Arenas, feitas com grandes custos e preços supervalorizados, sob a desculpa de deixar um legado. Ora, senhores e senhoras, mais da metade das Arenas foram construídas em cidades sem grandes times, sem grandes torcidas e sem condições de utilizar os locais em sua plenitude. Ou seja, muito dinheiro jogado fora. Se metade foi usado nas Arenas que estão em sub-uso, algumas nem foram terminadas e existem dívidas as pagar; a outra metade foi direto para o bolso, para as contas daqueles a quem me referi acima.

E veio a Olimpíada, com um projeto megalomaníaco de outros 40 Bilhões para mostrar um mundo de eficiência fantástica, com uma Vila Olímpica que seria espetacular, mas que serviu logo na chegada dos atletas de vergonha devido aos problemas apresentados. E tudo isso deveria servir de legado, mas na verdade ficaram nas mãos de Empreiteiras que estão a faturar. E a Olimpíada deveria também ofuscar todas as mazelas do Rio de Janeiro, que sabemos, são muitas em todas as esferas. E chegamos ao caos!

Depois da Copa e da Olimpíada, começou a cair, a ruir, a desmoronar o castelo de cartas montado nos palácios. Veio primeiro a queda da Presidente da República, onde tudo começou em nome de uma reeleição, levando junto todo o PT, que saiu das eleições 2016 esfacelado; e daí em diante vem acontecendo as quedas em cascata, ou efeito dominó, onde cada queda motiva nova queda e consequências, e  nomes de políticos e de empreiteiros tem aparecido e estão sendo chamados a pagar na justiça oferecida pela Operação Lava Jato por seus erros.

bandeira-choraDescobrimos que a nossa maior empresa, a menina dos olhos do Brasil, a Petrobrás era o cofre de onde se roubava sem qualquer medo de ser infeliz. Ali havia um ninho de cobras venenosas mordendo e golpeando diuturnamente os cidadãos brasileiros, pois a cada moeda de real que desviavam estavam condenando as pessoas que precisam de atendimento em hospitais, aos que labutam diariamente pagando impostos escorchantes, aos que não tem nenhuma esperança de um futuro porque não encontram condições de sair da miséria, etc. E que uma das maiores Empreiteiras do país, a Odebrecht, servia de balcão de negócios escusos de corrupção de políticos.

No Rio de Janeiro, o Governador titular e o ex estão no xilindró, o Prefeito vai pelo mesmo caminho? vai. E a todo instante explode novos focos de corrupção. Tudo isso era sabido. Mas não havia  investigação, não havia prisão, tudo terminava em pizza. E ainda corremos esse risco, pois nessa semana, o Supremo Tribunal Federal, formando a mais alta Corte do país cometeu um erro espetacular que colocou em cheque a sua existência e valor, ao escorregar num processo contra o Senador Renan Calheiros, que mais sujo impossível, mas continua dando as cartas nessa republiqueta que acreditávamos grande e excelsa Brasil, mas que não passa de algo deplorável, quando se fala de país de verdade, de fórmula de sociedade, de local respeitável.

As desgraças de tudo isso agora rondam o Presidente Temer, que teme perder o mandato tampão, pois está com uma taxa altíssima de rejeição devido as medidas de reforma da Previdência e formato de governo minado por nomes de corruptos e práticas nada favoráveis ao povo. Todas as medidas de controle financeiro só pisoteiam os pobres e classe média, ficando os ricos sempre ilesos de pagar a conta. Com a chegada da delação dos executivos da Odebrecht, calcula-se que o Poder Central será atingido nas bases e não restará pedra sobre pedra.

Para o Brasil, parece-me salutar a realização de Eleições Gerais com novos governantes saídos da iniciativa privada, com conhecimento e ficha limpa, sem nenhum desses que aí estão, mas aí seria utopia, a não ser que fosse uma condição alcançada sob a imposição das armas. Uma Nova Ordem. Que chegasse com um teto salarial inferior a 10.001 reais para os serviços públicos de todas as esferas, incluindo aposentadorias especiais e afins. O fim de todas as mordomias para políticos. E penas pesadas e exemplares para todo e qualquer crime praticado por servidores.

POLITICOS CORRUPTOSÉ preciso que o brasileiro aprenda e entenda de uma vez por todas que é possível ter hospitais com bom funcionamento, ruas seguras para se ir e vir, emprego para todo mundo, estradas em bom estado de uso, financiamento para estudantes, políticas para o campo e cidades, sem precisar roubar, sem meter a mão, sem tirar proveito próprio a cada operação. Hoje se rouba em tudo, no atacado e no varejo, quando o assunto é serviço público. Tornamo-nos uma praça de ladrões, de bandidos, de traficantes, de sonegadores. Quem não é bandido igual é bobo, é idiota, é palhaço, é pobre. Nossos maiores nomes estão na lama, ladrões, bandidos, e continuam lá. O Brasil é o pior de tudo em tudo. Vergonhoso para homens, mulheres e crianças de bem. Vergonhoso para um povo. Vergonhoso fazer parte dessa corja que aí está.

Vamos aguardar como será essa ruptura com o modelo atual, vamos aguardar se acontecerá mesmo. Mas uma coisa parece-me bastante clara: Não estamos preparados para tal. O povo está dividido, geralmente defendendo posições e figuras (vamos defender o país, esqueçam partidos, candidatos, pessoas que lá estão), sem levar em conta o que é correto, justo e moral. Para acontecer um acerto e termos um futuro próspero, precisamos começar do zero, recomeçar, e isso tem um preço. Ou continuar como estamos, já pagando o preço, com a certeza de que os erros se perpetuarão e pagaremos para sempre. O brasileiro não entende, não vê que já estamos no fundo do poço e que é preciso tomar as rédeas da situação. Fica se apegando a um mundo que vê e pensa que está bom. Não está. Estamos aprisionados, estamos amedrontados, estamos reféns da violência urbana. Estamos sendo roubados em meio PIB a cada ano. Estamos acovardados achando tudo errado e sem coragem de lutar para mudar a situação.

Mas se quisermos um mundo melhor, se quisermos ser atores do nosso tempo, precisamos ir a luta, entendermos que somos maioria e podemos mudar o jogo a nosso favor, sempre com o pensamento de melhorar e de dar fim a bandidagem. E o momento é muito propício para arregaçar as mangas, pois os políticos bandidos estão acuados, acusados em toda parte, sem saber direito que fazer. Atacamos agora ou perdemos essa oportunidade nos dada pela Lava Jato e Ministério Público Federal, que está trazendo para a luz do Sol todos os podres dos maiores bandidos que esse País já teve.

A hora é esta! vamos aumentar o coro dos excluídos, o coro dos indignados, o coro dos envergonhados. Vamos tornar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil.

Tem luz no fim do túnel!

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G. G. Carsan, dezembro 2016.

 

 

 

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HORA DE TENSÃO, ÓDIO E MEDO

Caros amigos,
Alguém duvida que o Brasil, a nossa querida e mal amada Pátria está à beira de um conflito? Basta ver as eleições, os embates vocais e os mimimis, todos em contraponto a corrupção, aos engodos da política, a Lava Jato, tudo movido por uma teia de aranha que envolve e arrebata ‘todo mundo’, tanto é que Ministro sobe, ‘ministro’ cai por falta de reputação, ou pior, por envolvimento com práticas corruptas. O Presidente Temer teme uma convulsão e está mais perdido do que escalador em avalanche no Everest, todo dia com uma história nova que dá errado.
Aí me vem a lembrança o bordão do Ben Grimm, o Coisa, aquele do Quarteto Fantástico: “Está na hora do pau”.
É isso que pode acontecer se passar essa tal de Anistia ao Caixa Dois, é o que pode acontecer se a Lava Jato foi pulverizada e desativada.
Que se mantenha o império da Justiça, mesmo quando derrubar poderosos e grandes marcas, pois haveremos de reconstruir tudo sob o manto da ordem e da moralidade. Vamos manter o foco na feitura da justiça e tudo dará certo. Deus é conosco, pelo certo, pelo justo, pelo digno. Confie.
Por outro lado está acontecendo um desmantelamento, esse justo, justíssimo, da Horda Selvagem, quadrilha enorme, internacional, que abocanha 90% de tudo o que o Brasil produz, deixando o seu povo morrer à míngua em porta de hospitais, em estradas, em tiroteios movidos a crack e em vinganças ocasionadas por esses mesmos problemas.
Parece-me claro que o sistema que aí está faliu, tropeça em si mesmo.
Precisamos de eleições para um novo tempo, com a total e irrestrita saída desses que hoje estão lá. Coloquemos nomes novos, pessoas com conhecimento. O Brasil tem esse potencial. O resto virá com o tempo.
Precisamos rasgar essa Constituição e construir outra mais justa, menos apadrinhadora da minoria hoje representada por uma elite sádica, sempre improdutiva, sempre esfomeada por cargos e salários.
E precisamos de leis rígidas e operantes, de ordem, de direitos claros e possíveis e obrigações com a Nação, enfim, precisamos de controle, de ordenamento, de exemplos firmes. Do jeito que está, tudo solto e tudo livre, parecemos uma boiada sob ameaça constante.
Confio que haverá um momento em que tudo acontecerá.
G. G. Carsan.
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Estou Interessado Nisso – interesse próprio

Começo apostando que você, caro leitor, está interessado em saber o que vou escrever abaixo somente atraído pela palavra interesse, e talvez, quase certamente, termine totalmente desinteressado. O intuito, o objetivo, o alvo é medir o interesse nas coisas.

O mundo é muito complexo, multimídia, ultra diversificado. Centenas de profissões, línguas, países, doenças… milhares de cidades, de animais, de políticos, de presos, de praias… milhões de corruptos, de bandidos, de advogados…  bilhões de pessoas, de estrelas, de cargos. Perceberam como se torna complexo? e então, cada qual vai moldando ao longo da vida os seus interesses nisso, naquilo, isso não interessa, aquele tô fora, disso não quero nem saber.

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Mas vivemos num mundo moderno onde tudo está coligado, uma coisa puxa a outra e precisamos estar ligados também, pois tudo o que acontece no Planeta Terra nos atinge e nos afeta, em menor, médio ou maior grau. Sim, verdade. Pode acreditar! Por exemplo, quando o preço do arroz cai lá na China, afeta os preços no resto do Mundo, até chegar no supermercado da esquina da sua rua, numa cidadezinha do interiorzão do Piauí. Quando o preço do petróleo varia alguns centavos lá na Bolsa de Nova Iorque, nos Estados Unidos, vai mexer com os preços do seu orçamento mensal, pois teremos alteração de preços da gasolina (você tem ao menos uma moto, né?), no preço do botijão de gás (você ainda cozinha em casa?) e isso lhe afeta se cozinhar em casa ou se comer fora da mesma forma, pois o restaurante também altera seus preços.

Acontece que a maioria das pessoas só interessa nas coisas mais importantes do seu ‘derredor’ e deixa as outras de lado, não tá nem aí, “que se exploda o Mundo que não me chamo Raimundo”. E faz isso desrespeitando as leis, fazendo de conta que não existe lei, quando é para levar vantagem. E desrespeitando os bons costumes quando as consequências cairão nas costas de outros. Enganando outras pessoas que sejam incapazes de perceber os golpes ou ambiciosas ao ponto de cair em conto do vigário.

Desrespeitando as leis, cito as de trânsito e as de corrupção, que causam tantas mortes, doenças e prejuízos ao país, às famílias. Desrespeito aos bons costumes são as depredações e ataques ao meio ambiente, as sujeiras nas ruas, o embate com o vizinho, o avanço nas propriedades privadas. Enganando pessoas temos o estelionato, as apropriações indevidas, as falsidades ideológicas, os golpes ardilosos de familiares e de autoridades, as fofocas e boatos para derrubar alguém.

Em nome do tal interesse próprio, vemos e ouvimos todos os dias nos noticiários as descobertas de quadrilhas roubando o erário público, as instituições, as associações, as residências. Vemos pessoas, homens adultos, estudados, brancos, com nome de família renomada praticando absurdos contra a lei, contra a ordem, contra Deus, apenasmente para alcançar o que não tem e que também não tem coragem ou ferramentes lícitas para conseguir.

O tal do interesse fez os homens se perderem ao longo do tempo. Colocar o ‘eu’ acima de tudo e de todos levou o homem para um caminho sem glória. Os valores como ética, moral, merecimento, honra, honestidade, altivez, reputação, perderam espaço para ‘o jeitinho brasileiro’, para ‘a lei de Gerson’, para o “quanto pior, melhor’, para o “quero que se exploda’. O que temos contemporaneamente são os valores verdadeiros invertidos, aviltados, pelo avesso, dando lugar aos valores negativos, que tem a falsa virtude de fazer parecer tudo muito bom no curto prazo, que obram resultados rápidos, que permitem sensações novas, porém, que não se sustentam, pois uma vez baseados em pilares falsos, sucumbirão rápida e ruidosamente. Os homens poderosos do interesse próprio, são temidos, odiados, invejados, amaldiçoados, e quando caem, todos aplaudem de pé, pois prezam por sua ruína a cada por-do-sol.

A lição que fica de tudo isso é que podemos sim trilhar um caminho de glória fazendo as coisas direito, com trabalho, determinação, com Deus no coração, com dignidade, com segurança, para colhermos frutos dignos, seguros e firmes. Tudo o que for feito honestamente gerará bons frutos e prazeres eternos. Tudo o que for feito baseado no interesse próprio, pisando terra e gente terá o fracasso como total quando passar a régua.

Quando a gente faz a coisa certa, as escolhas adequadas para uma vivência exemplar, participa da sociedade com ideais de melhorias e desenvolvimento buscando a plenitude de tudo e de todos, os resultados vem, a gente cresce grandemente de forma idônea e altaneira, com a sustentabilidade necessária para ser por toda a vida, e vemos que vale à pena, porque somos respeitados pelo que somos, pelo que fizemos, pelo que representamos.

Reflexão é coisa boa! Isso é do interesse de todos!

G. G. Carsan – novembro de 2016

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De Bunda Para Cima

De Bunda Para Cima

Nem ataque alienígena, nem a III Guerra Mundial e nem o Barcelona na Segunda Divisão do Carioca, não, nada disso é responsável pela mega hecatombe planetária que atingiu a terrolândia na madrugada dessa quarta-feira.
A mega hecatombe foi a eleição de Donald Trump para ser o 45. Presidente dos Estados Unidos, com uma vitória esmagadora sobre Hilary Clinton e arrasadora sobre os institutos de pesquisa americanos, que ficarão no nível de feiticeiros charlatões.
O mega Trump venceu e impôs uma queda livre nas bolsas de valores de todo o mundo e na de apostas de Londres.
Agora o planeta Terra entra numa hibernação incontrolável e ansiedade congênita até a posse de D.T. em janeiro. O mundo vai tremer com esse homem que disse que vem pra fazer os EUA reconquistarem o seu devido valor… e para isso vai impor seu ponto de vista.
No bem ou no mal, vamos ver se consegue.
E para nós, brazucas, as coisas vão apertar. Visto só de olho e entrada só de cinema em casa. Ele prometeu endurecer as relações com os latinos e aliados que somente sugam os americanos.
Alguma coisa há de melhorar, pois os americanos nunca foram bonzinhos conosco, sempre fizeram prevalecer o seu ponto de vista armado.

G. G. Carsan

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